Esther Jean Langdon & Marina D. Cardoso (Orgs.) – Saúde Indígena

A coletânea tem o desafio de contribuir com subsídios antropológicos para o desenho de políticas públicas em saúde indígena.

Esther Jean Langdon & Marina D. Cardoso (Orgs.) – Saúde Indígena: Políticas Comparadas Na América Latina

Organizada por Esther Jean Langdon e Marina D. Cardoso, esta coleção de textos apresenta um panorama crítico e comparativo sobre os avanços e paradoxos provocados pelas atuais inter-relações entre as políticas públicas de saúde e as de reconhecimento dos direitos indígenas na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Venezuela.

Seus autores aceitaram o desafio de discernir as estratégias diferenciadas de implementação de políticas indigenistas de saúde e simultaneamente os corolários institucionais e retóricos subjacentes às ações políticas que enfatizam a interculturalidade.

Calcadas em experiências de pesquisas qualitativas realizadas ao nível da localidade, essas análises críticas sobre as políticas e práticas direcionadas à saúde indígena contribuem, em seu conjunto, para o entendimento das distintas legislações nacionais de seis países latino-americanos sobre o estatuto desses povos, em sua maioria elaboradas no contexto de processos de redemocratização e mudanças constitucionais que ocorreram no continente sul-americano nas décadas de 1980 e 1990.

Ao desconstruírem com perspicácia os discursos e práticas estatais, as análises expõem dramáticas similaridades nas contradições existentes nesses países entre a formulação de políticas e a precária assistência à saúde prestada às populações indígenas, trazendo à tona as continuadas desigualdades políticas, econômicas e sociais, assim como persistentes preconceitos marcados por desentendimentos culturais.

Ao sumarizarem a imanente precariedade do atendimento de saúde aos povos indígenas nos diversos contextos etnográficos focalizados, Esther Jean Langdon e Marina D. Cardoso listam os paradoxos, dilemas e desafios para a implementação de novas políticas indigenistas de saúde, representados por sua descentralização ou centralização excessiva, por ações fragmentárias, intermitência na formação de profissionais e sua alta rotatividade e, acima de tudo, pela falta de infraestrutura básica, incerteza institucional e descontinuidade nos programas e serviços a serem prestados.

Concluem que, se houve, do ponto de vista jurídico, a consolidação de políticas de reconhecimento e visibilidade da questão indígena, esse reconhecimento deixou de ser traduzido em políticas de saúde diferenciadas dirigidas a essas populações.

A noção de interculturalidade foi, isso sim, incorporada às retóricas estatais, baseadas na diferença cultural, que mascaram as existentes relações de poder e as desigualdades sociais.

Como esta coleção de textos sugere, a fim de superar os dilemas expostos, estamos confrontando o desafio de contribuir com subsídios antropológicos para o desenho de políticas públicas em saúde indígena, cuja elaboração deve necessariamente contar com a participação de representantes indígenas, assim como levar em consideração a diversidade de seus saberes e práticas.


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Esther Jean Langdon & Marina D. Cardoso (Orgs.) – Saúde Indígena

A coletânea tem o desafio de contribuir com subsídios antropológicos para o desenho de políticas públicas em saúde indígena.

Esther Jean Langdon & Marina D. Cardoso (Orgs.) - Saúde Indígena: Políticas Comparadas Na América Latina

Organizada por Esther Jean Langdon e Marina D. Cardoso, esta coleção de textos apresenta um panorama crítico e comparativo sobre os avanços e paradoxos provocados pelas atuais inter-relações entre as políticas públicas de saúde e as de reconhecimento dos direitos indígenas na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Venezuela.

Seus autores aceitaram o desafio de discernir as estratégias diferenciadas de implementação de políticas indigenistas de saúde e simultaneamente os corolários institucionais e retóricos subjacentes às ações políticas que enfatizam a interculturalidade.

Calcadas em experiências de pesquisas qualitativas realizadas ao nível da localidade, essas análises críticas sobre as políticas e práticas direcionadas à saúde indígena contribuem, em seu conjunto, para o entendimento das distintas legislações nacionais de seis países latino-americanos sobre o estatuto desses povos, em sua maioria elaboradas no contexto de processos de redemocratização e mudanças constitucionais que ocorreram no continente sul-americano nas décadas de 1980 e 1990.

Ao desconstruírem com perspicácia os discursos e práticas estatais, as análises expõem dramáticas similaridades nas contradições existentes nesses países entre a formulação de políticas e a precária assistência à saúde prestada às populações indígenas, trazendo à tona as continuadas desigualdades políticas, econômicas e sociais, assim como persistentes preconceitos marcados por desentendimentos culturais.

Ao sumarizarem a imanente precariedade do atendimento de saúde aos povos indígenas nos diversos contextos etnográficos focalizados, Esther Jean Langdon e Marina D. Cardoso listam os paradoxos, dilemas e desafios para a implementação de novas políticas indigenistas de saúde, representados por sua descentralização ou centralização excessiva, por ações fragmentárias, intermitência na formação de profissionais e sua alta rotatividade e, acima de tudo, pela falta de infraestrutura básica, incerteza institucional e descontinuidade nos programas e serviços a serem prestados.

Concluem que, se houve, do ponto de vista jurídico, a consolidação de políticas de reconhecimento e visibilidade da questão indígena, esse reconhecimento deixou de ser traduzido em políticas de saúde diferenciadas dirigidas a essas populações.

A noção de interculturalidade foi, isso sim, incorporada às retóricas estatais, baseadas na diferença cultural, que mascaram as existentes relações de poder e as desigualdades sociais.

Como esta coleção de textos sugere, a fim de superar os dilemas expostos, estamos confrontando o desafio de contribuir com subsídios antropológicos para o desenho de políticas públicas em saúde indígena, cuja elaboração deve necessariamente contar com a participação de representantes indígenas, assim como levar em consideração a diversidade de seus saberes e práticas.


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