Nick Davies – Vale Tudo Da Notícia

Esta é a história mais estranha que escrevi na vida.
Começou com uma coisa pequena, quase insignificante: a prisão de dois homens — um detetive particular e um jornalista do News of the World. Os dois foram parar na cadeia, mas nada de excepcional. O crime que haviam cometido não era tão grave e eles receberam penas curtas. O único detalhe que chamava a atenção no caso à época era o fato de o crime ser pouco comum: tendo descoberto que podiam acessar as caixas de mensagens de voz de outras pessoas, os dois tinham passado meses invadindo e escutando sem autorização os recados recebidos por três funcionários do Palácio de Buckingham. Mesmo assim, não deixava de ser uma história sem importância, que em poucos dias desapareceria dos noticiários.
No entanto, eu passaria mais de seis anos da minha vida profissional tentando desembaraçar o novelo de corrupção que se escondia por trás dessa história. Pouco tempo depois já éramos um pequeno grupo trabalhando junto e descobrindo que havíamos nos metido em uma guerra contra a imprensa, a polícia e o governo, todos ligados a uma organização criada por um único homem.
Rupert Murdoch é um dos homens mais poderosos do mundo. Pode-se dizer até que ele é, de fato, o mais poderoso. A News Corp está entre as maiores companhias do planeta. Como todos os seus rivais nos negócios, Murdoch tem poder financeiro para empregar ou demitir milhares de pessoas e poder político para preocupar governos ao ameaçar retirar seu capital de um país e transferi-lo para outro mais cooperativo. Entretanto, diferentemente de seus rivais, o poder de Murdoch alcança outra dimensão. Por ser dono de jornais e canais de TV, ele pode inquietar ainda mais os governantes, fazendo-os temer que, sem seu apoio, sejam criticados, desestabilizados e percam credibilidade. Sem dúvida, um homem que ao mesmo tempo é megaempresário global e consegue influenciar na definição de quem ocupa as mais influentes cadeiras da sociedade tem um tipo especial de poder.


Deixe uma resposta

Nick Davies – Vale Tudo Da Notícia

Esta é a história mais estranha que escrevi na vida.
Começou com uma coisa pequena, quase insignificante: a prisão de dois homens — um detetive particular e um jornalista do News of the World.

Os dois foram parar na cadeia, mas nada de excepcional. O crime que haviam cometido não era tão grave e eles receberam penas curtas. O único detalhe que chamava a atenção no caso à época era o fato de o crime ser pouco comum: tendo descoberto que podiam acessar as caixas de mensagens de voz de outras pessoas, os dois tinham passado meses invadindo e escutando sem autorização os recados recebidos por três funcionários do Palácio de Buckingham. Mesmo assim, não deixava de ser uma história sem importância, que em poucos dias desapareceria dos noticiários.
No entanto, eu passaria mais de seis anos da minha vida profissional tentando desembaraçar o novelo de corrupção que se escondia por trás dessa história. Pouco tempo depois já éramos um pequeno grupo trabalhando junto e descobrindo que havíamos nos metido em uma guerra contra a imprensa, a polícia e o governo, todos ligados a uma organização criada por um único homem.
Rupert Murdoch é um dos homens mais poderosos do mundo. Pode-se dizer até que ele é, de fato, o mais poderoso. A News Corp está entre as maiores companhias do planeta. Como todos os seus rivais nos negócios, Murdoch tem poder financeiro para empregar ou demitir milhares de pessoas e poder político para preocupar governos ao ameaçar retirar seu capital de um país e transferi-lo para outro mais cooperativo. Entretanto, diferentemente de seus rivais, o poder de Murdoch alcança outra dimensão. Por ser dono de jornais e canais de TV, ele pode inquietar ainda mais os governantes, fazendo-os temer que, sem seu apoio, sejam criticados, desestabilizados e percam credibilidade. Sem dúvida, um homem que ao mesmo tempo é megaempresário global e consegue influenciar na definição de quem ocupa as mais influentes cadeiras da sociedade tem um tipo especial de poder.


Deixe uma resposta


Desenvolvido pela Quanta Comunicação