Georg Lukács – A Teoria Do Romance

Georg Lukács – A Teoria Do Romance

Redigido entre 1914 e 1915, A Teoria Do Romance permanece como referência fundamental para qualquer estudo acerca do romance. O horizonte conceitual de suas indagações ultrapassa o âmbito da literatura, conferindo ao debate teórico uma ampla perspectiva histórico-filosófica.

O poder de irradiação de suas ideias está presente na reflexão de importantes críticos, entre os quais Walter Benjamin, Theodor W. Adorno, Lucien Goldmann, Harry Levin e Fredric Jameson. Numa prosa densa e pontuada de lirismo, esta obra – marco da crítica literária do século XX – mantém intacta toda a sua atualidade.

Este livro de título simples e objetivo pode ser considerado o mais clássico dos estudos sobre o romance, gênero intimamente associado ao advento da era burguesa.

É também a ele que o nome do húngaro Georg Lukács ligou-se de maneira paradoxal. Reconstituindo a sua gênese num texto de 1962, Lukács explicita as duas grandes correntes que nortearam o estudo que empreendera meio século antes: “Que eu saiba, A teoria do romance é a primeira obra das ciências do espírito em que os resultados da filosofia hegeliana foram aplicados concretamente a problemas estéticos”.

A adesão ao marxismo, sob o influxo da Revolução Russa, levou-o a distanciar-se da obra escrita em um “estado de ânimo de permanente desespero com a situação mundial”. Paradoxalmente, porém, tal refutação não foi empecilho para que o seu estudo se constituísse em referência fundamental para reflexões estéticas posteriores (inclusive as de inspiração marxista).

Na retrospectiva de 1962, Lukács alude à situação “algo grotesca” de ver Ernst Bloch reivindicar A teoria do romance para fazer frente, durante a polêmica sobre o Expressionismo, às posições do “Georg Lukács marxista”. A esta mesma obra recorre Walter Benjamin, no antológico ensaio de 1936 sobre o “Narrador”, para contrastar o romancista com aquele ancestral enraizado nas tradições orais e, assim, nuançar as diferenças no “estatuto histórico das formas artísticas”.

Também para Adorno, A teoria do romance jamais perdeu a validade enquanto parâmetro crítico: retomando, no início dos anos 50, a delimitação de funções das formas épicas proposta pelo jovem Lukács, Adorno desenvolve, em “A posição do narrador no romance contemporâneo”, a tese da necessária “capitulação” do romance diante do “super- poderio da realidade”, que só pode ser transformada na práxis e não mais “transfigurada na imagem”.


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Georg Lukács – A Teoria Do Romance

Georg Lukács - A Teoria Do Romance

Redigido entre 1914 e 1915, A Teoria Do Romance permanece como referência fundamental para qualquer estudo acerca do romance. O horizonte conceitual de suas indagações ultrapassa o âmbito da literatura, conferindo ao debate teórico uma ampla perspectiva histórico-filosófica.

O poder de irradiação de suas ideias está presente na reflexão de importantes críticos, entre os quais Walter Benjamin, Theodor W. Adorno, Lucien Goldmann, Harry Levin e Fredric Jameson. Numa prosa densa e pontuada de lirismo, esta obra - marco da crítica literária do século XX - mantém intacta toda a sua atualidade.

Este livro de título simples e objetivo pode ser considerado o mais clássico dos estudos sobre o romance, gênero intimamente associado ao advento da era burguesa.

É também a ele que o nome do húngaro Georg Lukács ligou-se de maneira paradoxal. Reconstituindo a sua gênese num texto de 1962, Lukács explicita as duas grandes correntes que nortearam o estudo que empreendera meio século antes: “Que eu saiba, A teoria do romance é a primeira obra das ciências do espírito em que os resultados da filosofia hegeliana foram aplicados concretamente a problemas estéticos”.

A adesão ao marxismo, sob o influxo da Revolução Russa, levou-o a distanciar-se da obra escrita em um “estado de ânimo de permanente desespero com a situação mundial”. Paradoxalmente, porém, tal refutação não foi empecilho para que o seu estudo se constituísse em referência fundamental para reflexões estéticas posteriores (inclusive as de inspiração marxista).

Na retrospectiva de 1962, Lukács alude à situação “algo grotesca” de ver Ernst Bloch reivindicar A teoria do romance para fazer frente, durante a polêmica sobre o Expressionismo, às posições do “Georg Lukács marxista”. A esta mesma obra recorre Walter Benjamin, no antológico ensaio de 1936 sobre o “Narrador”, para contrastar o romancista com aquele ancestral enraizado nas tradições orais e, assim, nuançar as diferenças no “estatuto histórico das formas artísticas”.

Também para Adorno, A teoria do romance jamais perdeu a validade enquanto parâmetro crítico: retomando, no início dos anos 50, a delimitação de funções das formas épicas proposta pelo jovem Lukács, Adorno desenvolve, em “A posição do narrador no romance contemporâneo”, a tese da necessária “capitulação” do romance diante do “super- poderio da realidade”, que só pode ser transformada na práxis e não mais “transfigurada na imagem”.


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