Calibã E A Bruxa: Mulheres, Corpo, E Acumulação Primitiva – A autora, que atualmente leciona na Universidade de Hofstra, em Nova York, é uma das mais importantes teóricas do feminismo na atualidade, e em sua extensa pesquisa analisa, entre outros aspectos, o trabalho assalariado a partir de uma perspectiva de gênero.
Nascida em Parma, na Itália, em 1942, vive nos Estados Unidos desde os anos 1960, onde participou ativamente do movimento contra a guerra e ajudou a fundar o Coletivo Feminista Internacional, que impulsionou a Campanha por um Salário para o Trabalho Doméstico.
Nos anos 1980, Silvia passou uma temporada na Nigéria, onde lecionou na universidade de Port Harcourt, acompanhou o movimento de mulheres nigeriano e, ao ver de perto os resultados do ajuste estrutural patrocinado pelo Banco Mundial e pelo FMI sobre os estilos de vida comunitários do país, percebeu a atualidade das teses que expõe em Calibã E A Bruxa.
Calibã E A Bruxa discorre sobre a violência brutal empreendida contra as mulheres durante a transição do feudalismo para o capitalismo na Europa, e sustenta que a “caça às bruxas” relacionou-se diretamente com criação de um novo sistema econômico, forjado na escravidão, na colonização e na exploração e dominação do corpo e dos saberes femininos.
O título da obra faz referência a duas personagens shakespearianas — Calibã e sua mãe, Sycorax, uma bruxa — para simbolizar a dimensão sexista e racista que o capital impõe a quem resiste à sua ordem.
Baseada em uma exaustiva pesquisa documental e iconográfica, e em farta bibliografia, Silvia Federici argumenta que o assassinato de centenas de milhares de bruxas foi, juntamente com a submissão dos povos africanos e americanos, um aspecto fundacional do sistema capitalista, uma vez que designou às mulheres o papel de “produtoras de mão de obra”, obrigando-as, pelo terror, a exercer gratuitamente os serviços domésticos necessários para sustentar os maridos e os filhos homens que seriam usados como força de trabalho do sistema nascente.
Nesse sentido, Calibã E A Bruxa apresenta um contraponto ao pensamento de Karl Marx sobre a acumulação, afirmando que, em vez de se tratar de um aspecto precursor do capitalismo, a acumulação seria inerente a ele. O livro dialoga ainda com de Michel Foucault, a quem critica duramente por não haver levado em conta em sua “História da sexualidade” a campanha contra o corpo feminino e o extermínio de centenas de milhares de mulheres na fogueira.

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