A agricultura sustentável é um conceito em construção, embora seja certa a existência de um conjunto de critérios a serem observados para sua melhor definição, como bem apontam os textos contidos nesta publicação O Desafio da Agricultura Sustentável: alternativas viáveis para o Sul da Bahia, ora editada pela UESC em parceria com o IESB. Talvez, seja mais correto observar que a agricultura sustentável é um processo onde, de forma gradual e consistente, vamos modificando as práticas da agricultura convencional com a incorporação de outras que considerem não apenas a produção e a produtividade, mas toda a complexa diversidade de interações ambientais, sociais e econômicas definidoras da qualidade de vida das gerações atuais e futuras, sim, porque é fundamental incorporar o futuro em nossas preocupações atuais.
Diante deste contexto desafiante, o Sul da Bahia assume a posição de área prioritária para atuação, considerando sua importância para a conservação da Mata Atlântica, as características de uso e ocupação das terras e sua complexa malha de relações sociais, culturais e econômicas, sistematicamente caracterizadas nas estatísticas oficiais dos órgãos competentes, notadamente o IBGE e a Ceplac.
O IESB, atuando no Sul da Bahia há 10 anos, acredita que é possível a evolução para uma Agricultura Sustentável. As ações que nossos técnicos têm desenvolvido em campo, com o apoio importante de diversos parceiros, nos leva a perceber que este é um processo gradual e de longo prazo, envolvendo a complexidade de interações entre os aspectos ecológicos, sociais, culturais, políticos e econômicos. Com frequência, estes aspectos concorrem entre si, e fazê-los complementares, em alguns momentos, pode não ser possível, mas isto deve significar uma oportunidade de avaliação para a adequação das formas de abordagem e não provocar um retrocesso.
Neste sentido, observamos cada vez mais a responsabilidade de todos os atores sociais na escolha de qual modelo devemos seguir, havendo a necessidade de fortalecimento dos processos coletivos de tomada de decisão, a partir dos órgãos colegiados, fóruns de discussão e dos conselhos de meio ambiente e desenvolvimento, especialmente, dos locais e regionais.
Da mesma forma, é importante o desenho de políticas públicas e instrumentos econômicos capazes de fortalecer as iniciativas de agricultura sustentável, como aqui demonstram os diversos autores.

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