Nos dias 24 e 25 de Outubro de 2003 reuniram-se na UBI cerca de cinquenta pessoas, entre conferencistas e participantes, a fim de aprofundarem as relações entre a fé e a comunicação.
No que aos conferencistas se refere – mas esta observação pode ser generalizada aos participantes –, como se constata pelo índice, o que os caracteriza é, desde logo, a sua diversidade e pluralidade: em termos de formações e de especialidades – a teologia, a filosofia, as ciências da comunicação, as ciências da religião, a sociologia, a antropologia; em termos das Universidades de proveniência – a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a Universidade Nova de Lisboa, a Universidade Católica Portuguesa, a Universidade da Beira Interior; em termos, finalmente, dos seus pessoais percursos e experiências de vida.
Não é que sejamos pela diversidade e pela pluralidade em si mesmas – até porque elas são, muitas vezes, confundidas ou com a mera ausência de princípios ou com uma “tolerância” que tolera as maiores barbaridades –, mas a diversidade e a pluralidade, assentes na defesa de posições firmes e reflectidas, revelam-se como condições indispensáveis à abordagem de uma realidade complexa e caleidoscópica, como é a das relações entre fé e comunicação.
O confronto de perspectivas, verificado nas Jornadas, exigiu de cada um dos conferencistas um confronto prévio, íntimo e silencioso, com a proposta de trabalho que os organizadores lhe apresentaram, e que a seguir se descreve de forma mais pormenorizada.
Emergindo no espaço agonístico da democracia grega, onde a palavra é “a rainha e a condutora das almas”, a retórica aparece, desde os seus inícios, como defesa de causas controversas. Daí concluíram os sofistas, não só pela retórica como um instrumento ao serviço de qualquer causa, como pela relatividade de todas as causas e, consequentemente, pela inexistência da Verdade. É precisamente sobre essa dupla conclusão que, como se sabe, incide a crítica de Platão à sofística.
Quanto ao cristianismo, se o testemunho (martyros) foi naturalmente a primeira forma de anúncio (kerigma) da experiência pascal, rapidamente a evangelização no ambiente cultural, filosófico e retórico do helenismo teve de recorrer à linguagem disponível – o grego da koinê e as suas categorias –, já para se universalizar e tornar compreensível aos gentios, já como incoativo espaço de formulação e auto-compreensão, processo que patenteia uma profunda confiança nas virtualidades da comunicação.

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