A Ladeira Da Memória – Lançado originalmente em 1950 com vendas superiores a 50.000 exemplares e depois muitas vezes reeditado, o romance A Ladeira Da Memória é reconhecido como um dos grandes clássicos da literatura brasileira do século XX, além de ter sido o mais conhecido livro de José Geraldo Vieira (1897-1977).
Na obra, de ambientação urbana que se passa durante a Segunda Grande Guerra, no Brasil, José Geraldo Vieira conta, com maestria e não poucos lances autobiográficos, a cativante e dramática história de amor de Jorge e Renata.
A Ladeira Da Memória foi, de longe, o romance mais lido e reeditado de José Geraldo Vieira. E ainda que outros livros de José Geraldo, como A Mulher que Fugiu de Sodoma (1933), A Quadragésima Porta (1943) e O Albatroz (1952), tenham causado mais barulho entre a crítica, nas seções de literatura dos jornais de suas respectivas épocas, eu não hesitaria, hoje, em situar A Ladeira Da Memória entre as mais refinadas realizações romanescas do Autor.
A Ladeira Da Memória traz todas as marcas registradas do estilo de José Geraldo Vieira: o cosmopolitismo, os diálogos com a arte contemporânea, as inúmeras referências autobiográficas, as questões éticas assombrando os protagonistas.
Outro aspecto da obra de José Geraldo Vieira, e que neste romance atinge, talvez, seu ápice, é a reflexão a respeito da passagem do tempo, tanto num plano mais amplo (histórico, planetário, ou até mesmo urbano), quanto nos níveis individual e pessoal. O tempo, e as marcas que ele deixa, são aqui tão presentes que o próprio título do livro já os apresenta.
Em A Ladeira Da Memória, nos vemos envolvidos por uma narrativa na qual se impõem dois elementos profundamente relacionados entre si: por um lado, todos os dramas derivados da realização, ou não, de uma relação amorosa; e, por outro, a beleza e as dores resultantes do tempo (a espera, a transformação de pessoas e espaços físicos, a memória, a saudade).
Se esses dois elementos estão presentes, de diferentes formas, em todos os livros de José Geraldo Vieira, aqui eles alcançam ao seu grau mais elevado. Como sempre acontecia quando seus livros eram reeditados, José Geraldo Vieira não se acanhava em fazer grandes mudanças em seus textos: reescrevia capítulos, suprimia parágrafos, acrescentava outros.

   

 

 

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