Metodologia E Prática Do Trabalho Em Comunidade – Este livro convoca o leitor à reflexão para o aprendizado ou aperfeiçoamento do fazer com consciência e competência, obedecendo ao cânone do senso comum: “quem sabe faz, quem não sabe ensina”. Funda-se na metodologia para, além da técnica instrumental, despertar a sensibilidade à moda de Válery, “a alma, o olho, a mão”: a mão guiada pelo olho e este pela inspiração da alma. Discute os conceitos de comunidade, ação social, metodologia, sociologia do trabalho, integração social etc.
Começamos discutindo o significado de comunidade. Este conceito de uso largo e abusivo. Pois, podemos denotar comunidade de localização e comunidade de relações; são, no caso, pequenos mundos, recortes de uma cidade em frações de no máximo um bairro, ainda que por este termo se tenha as mais arbitrárias extensões urbanas e as mais complexas combinações sociais.
Mas vamos aos conceitos que aqui parecem óbvios em seus enunciados: comunidade de localização é o compartilhar um determinado espaço comum, desses que a gente se aproxima na intimidade e simbolicamente se apropria ao usar o possessivo para o público, por exemplo, “minha rua”, “meu bairro” ou “minha cidade”. O sentimento de pertença a um lugar pode ser motivo forte de identificação das pessoas entre si quando algum interesse voltado para o lugar toca também aos sentimentos das pessoas isoladamente, promovendo certa comunhão de emoções que levam à ação.
Já a comunidade de relações pode não se restringir a um espaço delimitado, prevalece à comunhão de ideias e de crenças a ultrapassar fronteiras físicas, o que pode ser exemplificado em casos de compartilhamento de crenças religiosas ou políticas, ou emoções que levam a uma integração em projetos de solidariedade cívica, como os movimentos ambientalistas ou os “sem fronteiras” que reúnem pessoas em torno de uma causa tomada como socialmente justa.
Atualmente tem-se usado o conceito de comunidade sem nenhuma precisão, tão somente para delimitar qualquer espaço, urbano ou rural, ou para referir-se a uma determinada etnia ou outro grupo específico.
Comunidade de Santo, por exemplo, para designar os adeptos do candomblé, ou do povo de Deus, para englobar evangélicos neopentecostais, assim como a comunidade negra da Liberdade, bairro de maior concentração de afro-descendentes da cidade do Salvador; ou ainda, comunidades do Subúrbio, também para identificar os espaços urbanos tipificados como bairros ou invasões, ou ainda conjuntos habitacionais. Essa imprecisão conceitual, impregnada da ideia subjacente de que comunidade significa comunhão de ideias ou irmandade, leva a erros graves no trato social de projetos supostamente de interesse público, ao mesmo tempo em que dissimula interesses políticos na manipulação de “agentes comunitários” e de sentimentos de pertença.

 

Camisa “E Viva A Diferença!”

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