Na última década assistimos a um perceptível aumento de estudos na área de gênero e sexualidade no Brasil. Pesquisas realizadas em várias disciplinas têm apresentado temas e objetos diversificados, adensando o debate no nível teórico e metodológico. O mesmo interesse temático também é visível nos estudos sobre comunicação e mídia, terreno no qual as preocupações relativas à identidade, corpo, raça, a partir dos estudos culturais, têm aportado importantes contribuições práticas. Este contexto de ampliação numérica dos estudos e da visibilidade de novos sujeitos e “culturas sexuais” tem, por outro lado, demandado maior interlocução entre áreas próximas, exigindo intensificação do diálogo entre as ciências sociais e a comunicação social.
No intuito de promover esse debate necessário, a presente coletânea reúne pesquisas de diferentes áreas de conhecimento que utilizam o aporte teórico das ciências sociais, da teoria feminista e dos estudos culturais, entre outros, para pensar o lugar das relações de gênero e sexualidades na produção midiática contemporânea.
Estas pesquisas foram apresentadas no I Seminário Internacional Gênero, Sexualidade e Mídia: olhares plurais para o cotidiano, organizado Departamento de Ciências Humanas (FAAC/UNESP – Bauru), Programa de Pós-graduação em Comunicação (FAAC/UNESP – Bauru), Departamento de Sociologia e Antropologia, Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC/UNESP- Marília), Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais (FFC/UNESP – Marília), Observatório de Segurança Pública da Unesp/CNPq e Observatório da Imprensa na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC/UNESP-Bauru), entre os dias 06 e 07 de outubro de 2011.
Os textos reunidos em Olhares Plurais Para O Cotidiano sistematizam os debates que marcaram o Seminário, oferecendo às leitoras e leitores um conjunto fértil para reflexões, inspirações teóricas e questionamentos metodológicos sobre comunicação e cultura. Estes têm sido termos largamente usados, permeando discussões em diversos campos do saber.
“Comunicação” quanto “cultura” compõem também o vocabulário de senso comum. Se por um lado, esse uso sinaliza a centralidade das questões que se relacionam com essa vasta temática, por outro obnubila as especificidades que cercam esses debates em termos conceituais, teóricos e metodológicos. Em uma sociedade atravessada por essa maquinaria é fundamental, que se amplie campos de reflexão e debate para pensar sobre o funcionamento dessa produção, da circulação das mensagens, da recepção e nas resignificações possíveis pelas quais passam as afirmativas criadas.

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