O mestre de Apipucos desenvolve aqui sua tese da Tropicologia, e nos revela um Brasil dotado de uma estrutura social capaz de colocá-lo na vanguarda do mundo, bem distante, portanto, do velho refrão do “país perdido”. É, segundo Edson Néry da Fonseca , “a síntese magistral de tudo o que Gilberto Freyre pensou a respeito do Brasil”; e ainda “a construção de uma análise longamente amadurecida na pesquisa, no estudo e na reflexão em torno do que Ganivet chamaria o ideário brasileiro”.
Escrito no auge da capacidade do autor, Novo Mundo Nos Trópicos oferece a melhor síntese do pensamento de Gilberto Freyre sobre importantes temas.
Em Novo Mundo Nos Trópicos, Freyre faz uma análise da colonização portuguesa do Brasil, ressaltando as vantagens que a sociedade brasileira adquiriu devido à sua variada composição étnica.
O recurso à história comparativa é bastante presente em Novo Mundo Nos Trópicos. Freyre contrapõe, por exemplo, as violências dos regimes ditatoriais em nações da América do Sul à solução brasileira de equilíbrio dos antagonismos, a qual teria dado a luz a uma civilização que tendeu para a assimilação das diferenças na resolução de seus conflitos políticos e raciais.
Freyre visualiza a sociedade brasileira como um exemplo de civilização moderna nos trópicos, que soube incorporar valores europeus sem perder as raízes identitárias de sua nacionalidade.
Em uma entrevista concedida à TV Cultura, Gilberto Freyre se descreveu não como uma personalidade única, mas como uma personalidade múltipla, “um conjunto de eus”.
De maneira similar, pode-se descrever Novo Mundo Nos Trópicos não como um livro único, mas como uma combinação de dois estudos, escritos por dois diferentes Gilbertos em duas décadas diferentes e em dois contextos diferentes.
O primeiro é Brazil: an Interpretation, uma série de seis conferências publicadas pela primeira vez em inglês em 1945; o segundo, New World in the Tropics, publicado em inglês em 1959, reproduz as seis conferências, mas acrescenta quatro novos capítulos.
Estes dois estudos, ambos traduzidos para o português logo após sua publicação original, merecem ser discutidos aqui um por um e recolocados ambos tanto em seu contexto original quanto no posterior em espaço e tempo.

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