Elisa Larkin Nascimento (Org.) – Cultura Em Movimento

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Tratando do legado cultural e da tradição de resistência dos descendentes de africanos no Brasil, Cultura Em Movimento reúne ensaios e depoimentos sobre várias dimensões e aspectos. Nei Lopes e Beatriz Nascimento trazem uma perspectiva sobre o legado dos ancestrais bantos e malês; Elisa Larkin Nascimento, Joel Rufino e Abdias Nascimento, assinando pelo Conselho Deliberativo do Memorial Zumbi, esboçam uma pequena história das lutas afro-brasileiras do século XX. A questão da educação no Brasil como tema fundamental da vida e da luta dos afro-descendentes é tema de relatórios de fóruns de educadores que a abordam no seu aspecto teórico e prático. Três educadoras – Vera Regina Triumpho, Silvany Euclêncio e Piedade Marques – trazem depoimentos ricos sobre a sua experiência com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Os artigos aqui reunidos têm sua unidade e sua coerência básicas no fato de constituírem textos de referência do curso de extensão universitária Sankofa – Conscientização da Cultura Afro-Brasileira (1983-1995). Ministrado por um conjunto de professores, o curso refletiu um amplo leque de conhecimentos especializados.
Cultura Em Movimento apresenta uma série de ensaios sobre o legado cultural e histórico do povo africano e seus descendentes no Brasil, sobre sua luta de resistência contra a escravidão e o racismo e sobre a questão racial no ensino.
O Ipeafro realizou o Fórum África na Escola Brasileira no bojo do curso Sankofa, que reuniu um público de mais de quatrocentos profissionais do ensino em 1991. Como estes expressaram seu vivo interesse em um evento que abordasse a política de ensino com relação às questões discutidas no curso, surgiu a ideia de realizar um fórum e, para isso, o Ipeafro uniu-se à Seafro, do governo do estado do Rio de Janeiro.
Outro aspecto que liga os textos reunidos em Cultura Em Movimento é o fato de acompanharem e refletirem momentos importantes do ativismo negro no Brasil. Em 1980, foi fundado o Memorial Zumbi, que unia entidades do movimento negro com universidades federais e setores da administração do patrimônio nacional no esforço de recuperar, para a comunidade afro-brasileira e a população em geral, as terras da República dos Palmares.
Iniciaram-se as peregrinações à Serra da Barriga para comemorar o 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra. Por sugestão do Grupo Palmares, do Rio Grande do Sul, essa data foi instituída em contraposição ao tradicional 13 de maio, enterrado em ato público como mentira cívica.
O crescimento da celebração do dia 20 de novembro e sua generalização como data nacionalmente comemorada com destaque na mídia impressa e eletrônica são sensíveis indicadores da vitória do movimento no objetivo de criar uma nova visão da questão racial.

 

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