A Bossa Nova é uma ilha de música cercada de livros, artigos, comentários e fofocas por todos os lados. Já se sabe muito sobre as origens do movimento e sobre a vida de seus integrantes, como João Gilberto e Tom Jobim. No entanto, no plano especificamente musical ainda há muito por fazer.
A Linguagem Harmônica Da Bossa Nova, já em sua segunda edição revista, começa a suprir essa lacuna por trabalhar com partituras e análises estritamente musicais, verificando como elementos harmônicos já presentes, marginalmente, na música da Velha Guarda dos anos 1930 passam a ser, na Bossa Nova das décadas de 1950 e 1960, marcas registradas, constituindo um legado harmônico que as gerações seguintes não podem ignorar.
Na história da Música Popular Brasileira a Bossa Nova assoma como um estilo da mais alta originalidade, como o demonstra José Estevam Gava nes te seu livro A Linguagem Harmônica Da Bossa Nova, resultado de sua dissertação de mestrado na UNESP.
Significando genericamente um jeito novo de fazer alguma coisa, a expressão bossa nova já era utilizada no ambiente dos músicos profissionais desde a década de 1940. Na década de 1950 a expressão ganharia força com o movimento de jovens nos bairros da zona Sul do Rio de Janeiro, reunindo-se para fazer uma nova música, tocando e cantando acompanhados pelo violão.
Assim, Gava nos ambienta nessa fascinante temática, recortando um arco de preocupação estética que vai da história e desenvolvimento da Bossa Nova às soluções encontradas para o novo jeito de fazer música. O trabalho finaliza com competente análise, harmônica e comparada, entre um recortado número de músicas, de um lado, da Bossa Nova, e, de outro, da Velha Guarda. Sólida fundamentação teórica e critérios seguros nos procedimentos investigativos garantem crédito à pesquisa.
Tratando o tema como desenvolvimento histórico musical, Gava informa que o tão procurado novo jeito de fazer música e o novo estilo de cantar, contrastando com a maneira da época, em realidade foi além do intimismo e do violão.

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