O Diabo é uma das figuras centrais do imaginário cristão ocidental. Entretanto, o estudo de suas origens e dos papéis históricos que esta curiosa figura desempenhou ao longo dos séculos não tem merecido a atenção necessária.
Em O Diabo No Imaginário Cristão, Carlos Roberto Nogueira aprofunda com a erudição necessária esta problemática, pesquisando e apresentando a fusão existente entre a história do Cristianismo e a história do próprio Diabo.
O papel decisivo desempenhado pela presença deste personagem e seus agentes dentro de uma crença oficial- o Cristianismo- é analisado a partir da necessidade desta crença personificar um elemento como o representante do Mal.
A tentativa, tão característica ao longo da história do Cristianismo, de tranquilizar e uniformizar as consciências, é aqui estudada em suas causas e efeitos, destacando-se que estes últimos não foram os definidos e esperados segundo seus objetivos originais, pois acabaram gerando aspectos, considerados nefandos por seus proponentes, que culminaram até mesmo num certo ‘prazer estético’ em relação ao Mal.
A singularidade da obra de F. Nogueira em O Diabo No Imaginário Cristão encontra-se no fato de acrescentar a sua análise uma reflexão sobre significativas transformações ocorridas no significado da imagem do diabo após o advento da modernidade.
Foi depois das Reformas Protestantes e Católicas que o medo a Satã atingiu seu auge e a personagem alcançou uma grandiosidade trágica conforme comprovam, por exemplo, o fenômeno das chamadas guerras de religião e da caça as bruxas. Parafraseando o autor, as reformas conferiram ao “adversário de cristo” o direito de existir em toda a sua potência convertendo-se no “senhor deste mundo”.
Após as ditas revoluções burguesas”, a didática do medo utilizada pelos missionários cristãos das mais variadas tendências foi substituída por um certo prazer estético com o mal ocasionando uma certa reabilitação do diabo.
“Embora acreditando que Jesus havia vindo ao mundo para salvar o homem do poder do Diabo, a Igreja deixou de sustentar que ele estava totalmente vencido. Se assim fosse, não haveria razão para a continuada existência da Igreja.”

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