“Quando pela primeira vez o fantasma ficou na luz de perigo”, prosseguiu, pondo o cabelo preto atrás da cabeça, e movendo as mãos de um lado a outro das têmporas, febrilmente tenso, “por que não me contou onde aconteceria o acidente, se fosse mesmo acontecer? Talvez isso pudesse ter evitado a catástrofe.”
A estreia de Dickens na literatura se deu com a publicação de contos em periódicos ingleses da época.
O grande escritor vitoriano, conhecido pelos romances que abordam a problemática social e retratam as dificuldades da infância, tinha um gosto especial por fenômenos sobrenaturais e histórias de fantasmas, especialmente as natalinas.
Dickens, como mestre que foi – reconhecido por nomes como George Orwell e Hans Christian Andersen –, trabalha as tênues fronteiras da loucura e da sanidade e cria histórias lúgubres vividas por pessoas comuns, surpreendendo até os mais incrédulos.
Os contos fantásticos de Dickens (1812-70) estão dispersos nas pequenas revistas de folhetins e novelas, das quais ele era editor e autor quase exclusivo.
E este é certamente a sua obra-prima no gênero: O sinaleiro, publicado em 1866 em All theYear Round. Conto muito tenso e compacto, todo feito entre carris, cheio de barulhos de comboio, ocasos na desolada paisagem ferroviária, figuras vistas à distância das encostas.
O cenário do mundo industrial entrou na literatura, e já estamos muito longe das visões da primeira metade do século. O fantástico torna-se pesadelo profissional.

Charles John Huffam Dickens (1812 – 1870) foi o mais popular dos romancistas ingleses da era vitoriana. A fama dos seus romances e contos, tanto durante a sua vida como até aos dias de hoje, só aumentou. Dickens contribuiu em grande parte para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa. Entre os seus maiores clássicos podem-se destacar “David Copperfield” e “Oliver Twist”.

       

 

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