Mãos delicadas e precisas, olhos abundantes do belo, como flor de mandacaru, que brota e embeleza o sertão, as rendeiras são mulheres que tecem a vida dos lugares onde moram. Com linha e agulha, fazem renda e história no Semiárido nordestino.
Seu saber/fazer constitui-se em importante patrimônio cultural e potencialidade econômica. Suas histórias revelam a força e o conhecimento daquelas que fazem do ofício da renda a sua forma de estar no mundo.
Como bichos de seda ou aranhas silenciosas, transformam dificuldades em arte e fios de algodão em belas rendas que compõem vestidos, toalhas, brincos e muitas outras peças.
As rendeiras tecelãs são as protagonistas da Renascença. Para se produzir uma peça, muitas pessoas são envolvidas: estilista, lavadeira, passadeira, desenhista, mas essas fases só são possíveis porque existem as tecelãs que passam de uma para outra o conhecimento dessa arte.
As peças de renda não existem sem elas, por mais que sejam adornadas ou finamente costuradas por famosos estilistas. São as tecelãs que fazem a renda ser tão desejada no Brasil e no mundo.
Há quase um século, muitas mulheres têm se dedicado ao ofício da Renascença no Agreste pernambucano e no Cariri paraibano. Uma tradição que resiste e atravessa gerações. Mas grande parte das rendeiras já é idosa e se preocupa com o futuro da Renascença.
Para elas, muitos jovens não valorizam o ofício, porque não o reconhecem como uma possibilidade de geração de renda. Porém, para além da sua importância histórica e cultural, a Renascença tem também um alto valor de revenda e é bastante disputada para a compra por diversos setores, inclusive o da alta-costura.
Esta publicação busca contribuir para fortalecer e disseminar a Renascença, registrando os conhecimentos, as aprendizagens e as histórias dessas mulheres que transformam vidas no sertão. Foi feito com as rendeiras e para elas, mas também para todos que desejam conhecer um pouco mais dessa história que vem sendo tecida com linha, lacê e muita resistência no Nordeste do Brasil.

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