A pesquisa Drogas no Brasil: entre a saúde e a justiça – Proximidades e opiniões é resultado de um trabalho em parceria entre o Núcleo de Estudos e Opinião Pública (NEOP) da Fundação Perseu Abramo (FPA) e a Fundação Rosa Luxemburgo (RLS). O principal objetivo desta publicação é estimular o debate em torno da questão drogas, evidenciada sobretudo pela falência da política proibicionista. As drogas representam a causa de detenção que mais cresce no Brasil. Os usuários, ainda que não dependentes, são estigmatizados e vistos como perigosos para a sociedade, mesmo que façam apenas uso recreativo de substâncias ilícitas.
O tema é controverso e o profundo desconhecimento sobre a questão leva a sociedade a pensá-la como um mal em si, ou como um problema individual conforme o senso comum e a mídia veiculam. A ideia dessa publicação é desmistificar as drogas por meio de reflexões objetivas, abrangendo a complexidade da questão e a diversidade de contextos em que estão inseridas, chamando a atenção para o fato que essa é uma questão histórica, social e política.
Dando continuidade a uma série de estudo já realizados pela FPA, focados em minorias sociais vítimas de preconceito e discriminação (segundo a pesquisa FPA/RLS “Indígenas no Brasil l” – Editora Fundação Perseu Abramo, 2013 –, 38% dos entrevistados manifestam repulsa ou antipatia em conviver com “usuários de drogas” e 42% da população brasileira afirma que estão entre os grupos que menos gosta de encontrar), o presente estudo pretende abrir o debate em torno da questão, procurando tratá-la de maneira científica, multidisciplinar, plural e respeitosa e, ainda que longe de um consenso, fazer com que a discussão avance fornecendo à sociedade múltiplas formas de percepções sobre as drogas.
Tratadas como “caso de polícia” no Brasil, a complexidade, contradições e conflitos envolvidos na questão, bem como o preconceito que envolve seus usuários, indicam sua dupla penalização – a social e a legal. Tratar a questão como crime dificulta vê-la em sua real dimensão. Os estigmas dificultam o tratamento e a mudança do paradigma de enfrentamento do discurso moral hegemônico vigente, transitando de um problema de polícia para o campo da saúde pública.

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