Giovana Carmo Temple – Acontecimento, Poder E Resistência Em Michel Foucault

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A julgar pela insistência de Foucault em afirmar que o exercício do poder não ocorre de modo independente dos processos de resistência, este livro se propõe a problematizar esta relação no interior dos mecanismos constitutivos das duas principais formas de exercício do poder que Foucault identifica a partir do século XVIII, a saber, o poder disciplinar e a biopolítica. Certamente, problematizar a noção de poder em face da de resistência não é o que se poderia chamar de uma proposta original de uma pesquisa. Ocorre que, talvez pela trivialidade com que nos acostumamos a pensar tal proposta, habituamo-nos a buscar, para além das formas de resistências, os mecanismos de controle. A partir daí, não raro se perde de vista a principal característica da noção de poder analisada por Foucault, a saber, a de que o controle não se distingue da produtividade gerada por ele. Por isso que para nós ainda é uma questão central no pensamento de Foucault compreender como os processos de resistências se efetivam ante o exercício de um poder que é, sobretudo, produtivo.
Assim, como evitar que a resistência se torne uma prática assimilada pelas estratégias de poder, já que ela se efetiva, sobretudo, no interior da incitação, da interdição, da promoção, do poder. Quer dizer, restaria à resistência ser o efeito de uma causa que é o exercício do poder ou é possível fazer com que a resistência se mantenha como acontecimento não assimilado pelas estratégias de poder?
Menos do que revigorar a desgastada fórmula foucaultiana de que onde há poder há resistência, interessa, para nós, analisar a resistência sem que para tanto tenhamos que nos reportar à história do pensamento. Aqui, não há motivos para adiarmos a apresentação da hipótese que norteia o empreendimento deste livro: para apreender o modo pelo qual se efetiva a relação entre poder e resistência, tal como a formula Foucault, buscamos compreendê-la no interior do que chamaremos de uma genealogia do acontecimento, a partir da qual tais noções (de poder e resistência) serão problematizadas.

  

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