Série de palestras de Aldous Huxley, que resultou em um fascinante retrato de uma época, e de toda uma geração. O eterno esforço do homem, tal qual um trabalho hercúleo, em dar uma ordem e constante significação ao mundo que habita.
E é nesta relação com o mundo que reside a tentativa de conciliação com ele. Dar ordem, encaixar, entender, ajustar os ponteiros. Fundamentar e balizar, em termos filosóficos e sociais, o espírito do tempo a novas gerações, trazer luz aos problemas de uma época e examinar as potencialidades do mundo moderno, tal como ele é ou tal como ele exige que seja.
Os tópicos tratados por Huxley variam da natureza humana, e sua situação, até os primórdios da linguagem, onde tudo começou e por que somos o que somos e nos comunicamos de um modo bastante parecido até hoje.
Passa pelo discurso e pela crítica religiosa, toca na cultura oriental, ao qual o autor então já se mostrava envolvido, e chega a debates que ainda fervem passado mais de meio século: a opressão dos nacionalismos, a genética como frágil ponto de partida, a deterioração do planeta, entre diversos tópicos que se tocam e se repelem a cada contato.
Acessível e uma fonte inesgotável de referências das mais diversas, este A situação humana continua sendo um trabalho filosófico de primeiro porte: os insights do autor para o futuro nos transportam no tempo e nos fazem refletir sobre o que ainda queremos, o que ainda precisamos, o que ainda falta.
Trata-se de leitura obrigatória tanto para o entusiasta de Huxley que ainda não conhece a obra como para quem já teve a oportunidade de ler no passado e busca uma avaliação espiritual a partir do referente que, mesmo invisível, é o mais confiável: o tempo.
Em paralelo com Admirável novo mundo, Contos escolhidos, Contraponto e Sem olhos em Gaza, todos recuperados pela Biblioteca Azul, esta edição forma um mosaico complexo e cheio de luz de quem foi um dos autores mais célebres do modernismo inglês.

  

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