Raul Bopp – Movimentos Modernistas No Brasil (1922-1928)

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Há muitos escritos (relatos, livros, anotações, artigos, ensaios etc.) que possuem valor histórico e alta expressividade não porque são “estudos definitivos” – nenhum é, na verdade – sobre um tema ou porque abarcam uma quantidade ampla de informações e questões, mas sim porque foram produzidos, como se costuma dizer, “no calor da refrega”. Tal origem lhes outorga características que não são passíveis de ser reproduzidas posteriormente, justamente pelo caráter imediato e sui generis da experiência que lhe ensejou. O livro Movimentos modernistas no Brasil – 1922-1928, escrito por Raul Bopp, “se encaixa” precisamente nessa categoria.
Antes de um corpo ramificado de acordo com as diferentes orientações textuais e epistemológicas que comumente enformam textos de não-ficção, o livro de Raul Bopp valoriza a captação da expressividade de imediato, motivo pelo qual se divide em subtítulos referentes ao que ele viu ou experimentou e achou digno de nota. Como personagem cuja ligação com os movimentos modernistas se dá em primeira instância, Bopp nos oferece uma visão diretamente vivida por ele, o que, na minha opinião, enche o texto de um vigor peculiar.
Além de, digamos assim, relator, Raul Bopp também teve seu quinhão de protagonismo no movimento modernista, participando de saraus, almoço, tertúlias literárias e de momentos antológicos dele, como quando da definição dos nomes de suas vanguardas, sua influência européia, seus intentos de renovação das artes, da linguagem e também da célebre Semana de 22, evento capital do modernismo brasileiro.

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