
Este ensaio biográfico sobre a escritora baiana Elvira Foeppel é fruto de uma dissertação de mestrado. O título foi eleito por um “acaso do acaso”, como aquelas situações em que somos surpreendidos por bright thoughts momentâneos.
Estávamos em busca de um nome para o estudo sobre Foeppel, quando nos deparamos com várias possibilidades de poder aproximá-la de características referentes ao local onde ela deu seus primeiros passos, a cidade que, embora não seja o seu local de nascimento, escolheu para amar, aprendeu a referenciar e a reverenciar: Ilhéus.
Grapiúna é o adjetivo dado às pessoas nascidas no sul da Bahia, mais especificamente na região de implantação da cultura cacaueira e, segundo o escritor itabunense Cyro de Mattos, mesmo que, atualmente, apresente alterações na paisagem, tanto cultural quanto regional, o referencial permanece.
Decidido o adjetivo, seria imprescindível o termo que o precede – como nomear o sujeito que seria qualificado. Pesquisando um outro termo no Dicionário de símbolos de Jean Chevalier, deparamo-nos com o significado da palavra Violeta – “cor da esperança, feita de uma proporção igual de vermelho e de azul, de lucidez e de ação refletida, de equilíbrio entre a terra e o céu, os sentidos e o espírito, a paixão e a inteligência, o amor e a sabedoria”.
A personalidade de Elvira Foeppel espelha, basicamente, essas duas características que estão englobadas no título escolhido para o texto sobre sua vida e sua obra – a persistência dos ilheenses e a sensibilidade da cor violeta.
Assim, queremos brindar Elvira Foeppel e todas as mulheres que se sentiram livres para fazer literatura, escrevendo a história das mulheres e a sua própria história.
O texto que agora se apresenta é composto de dois momentos: o primeiro, constitui-se do levantamento biográfico da escritora Elvira Foeppel, – procedimento necessário, já que nada completo existe em dicionários (primeiro espaço de registro de um escritor).
Subdividimos tomando a mudança geográfica como divisor de sua vida: a infância e adolescência em Ilhéus (sul da Bahia) e a fase adulta, até sua morte, no Rio de Janeiro, então, capital do país, conjugando-se, nesse capítulo, vida e formação intelectual.
O segundo momento cataloga a sua produção literária resgatada, tanto seus livros publicados, quanto sua produção dispersa em periódicos. Utilizamos, também, diversos depoimentos de amigos, familiares e escritores. Seguindo esses dois momentos citados, encontra-se uma pequena cronologia da autora, além do anexo que inclui os poemas publicados no jornal Diário da Tarde.
