
No âmbito da Teoria Semiolinguística, O Entretenimento No Jornal Impresso: Discursos E Cenografias apresenta um original estudo discursivo da diversão no jornal impresso, descrevendo os modos de organização e os procedimentos mobilizados pelas cruzadas, pelos quadrinhos e pelo horóscopo. Levando em conta o surgimento do entretenimento no jornal impresso – como institucionalizou-se e seus modos de funcionamento –, o autor oferece um panorama do entretenimento no jornal Folha de São Paulo no período de 1960 a 2004.
Trata-se de uma amostragem representativa de como um jornal diário, comprometido com a informação, abre espaço para um conteúdo que ameniza o que as notícias representam em termos de ruptura do ordenamento social.
Jornalista de formação, o também professor Marcus Lima mostra-se um atento analista do discurso, que apreende a dinâmica da diversão no seu engendramento institucional e textual, guiando-se pelo conceito de “contrato de diversão”. Em sua abordagem semiolinguística, o autor procede a uma análise das cenografias da diversão, servindo-se igualmente da teoria dos jogos para apreender o objeto de estudo no seu valor cultural.
O mapeamento que resulta desta análise, assim como a problematização sobre as diversas instâncias inscritas nas cruzadas, nos quadrinhos e no horóscopo que perpassa todo o texto, atestam os movimentos por meio dos quais a significação discursiva é forjada.
Os estudos da mídia têm se beneficiado do aparato teórico-metodológico das várias teorias do discurso para expandir a análise de conteúdo, revelando como os modos de configuração de vários sistemas semióticos são também plenos de sentidos.
O Entretenimento No Jornal Impresso: Discursos E Cenografias é um bom exemplo do que a interdisciplinaridade pode gerar em termos de um patamar de análise do dispositivo midiático capaz de abarcar a sua potência. Tanto melhor para os estudos do jornalismo e os estudos linguísticos, cujo diálogo permitem apear como o tecido social é discursivamente arquitetado.
