Escrevivências Da Educação Física Cultural

Escrevivências Da Educação Física Cultural traz relatos de experiências de professores/as que colocam em ação a perspectiva cultural da Educação Física.

Escrevivência é uma criação de Conceição Evaristo, escritora, professora e participante ativa do movimento feminista e de valorização da cultura negra, cuja obra ficcional promove um mergulho no universo marginal que a sociedade finge não ver.

Sua produção não cai na armadilha do realismo brutal que transforma em fetiche favelas, vielas e becos, muito menos, converte a violência em objeto de consumo.

Promove a denúncia social ao reconstruir a intimidade de humilhados e ofendidos, tratando-os como pessoas que sonham e desejam, apesar do sofrimento da exclusão.

Conceição Evaristo se identifica com a intelectualidade afrodescendente em profunda interação com quem é colocado à margem do regramento neoliberal.

Fundindo os gêneros do romance e da escrita de si, sua prosa não esconde fragmentos biográficos que se espalham nas passagens e salpicam os personagens. Nesse emaranhado é possível ver o mundo pela ótica dos sujeitos anônimos que habitam o tecido social.

O conceito escrevivência se materializa em Becos da Memória, livro memorialístico, publicado em 2006 pela editora belo-horizontina Mazza, que retrata uma experiência negra no Brasil.

Propositalmente, as vidas de Conceição Evaristo e da protagonista Maria-Nova se fundem. Em ambas, a leitura antecede a escrita, tornando-se arma para lutar contra as condições desfavoráveis de existência. Criadora e criatura reelaboram o passado composto de cenas vividas.

É o que lhes permite suportar a aspereza do mundo, ao mesmo tempo que dele fogem, nele se inserem. Concebem a escrita como subterfúgio para esconder-se da realidade, para desejar e, na medida em que escrevem, transformar a realidade.

A narrativa de Conceição Evaristo ou Maria-Nova (menina negra, filha de lavadeira, habitante de uma favela e que encontra na escrita uma forma de resistir às adversidades) se solidariza com os desfavorecidos e lentamente apresenta os elementos que se entrelaçam para constituir a escrevivência: o corpo é um arquivo de impressões da vida; a condição é um processo simultaneamente enunciativo e compreensivo e a experiência é a artimanha estética que confere credibilidade ao discurso.

A escrivivência é um modo de falar, ser ouvido, redigir outra história, outra versão, outra epistemologia, que valoriza o sujeito comum do dia a dia, sobre o qual não se fala porque a ninguém interessa. Por meio dela, Conceição Evaristo ou Maria-Nova partilha a missão política de inventar outro futuro para si e para seu coletivo.

A escrivivência é uma bricolagem de memória, história e poética. É a expressão do direito de narrar a si e a suas próprias experiências. Negar a alguém o direito de narrar-se é o mesmo que silenciar e desconsiderar seus conhecimentos. É cometer um assassinato epistêmico.

Escrevivências Da Educação Física Cultural é o inverso disso. Ele traz a público relatos de experiências de professoras e professores que afirmam colocar em ação a perspectiva cultural da Educação Física, também chamada currículo cultural, Educação Física culturalmente orientada ou, simplesmente, Educação Física cultural.

Relatos de experiência podem ser tomados como escrevivências, ao manifestarem impressões do fazer pedagógico vivido pelos próprios autores e autoras.

São histórias de quem propõe, faz junto com os estudantes, reorganiza o seu fazer e aprende cotidianamente. Histórias de quem enfrenta o sol, o vento e a chuva, de quem avança noite adentro na labuta pedagógica.

De quem ouve o barulho da quadra, pátio ou sala de aula. De quem disputa espaços e tempos. De quem, ao desafiar a lógica conteudista, reprodutivista e transmissora das pedagogias modernas, se depara com discordâncias, desentendimentos e muitas dificuldades, mas também recebe apoio e carinho, principalmente das alunas e alunos.

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Escrevivências Da Educação Física Cultural traz relatos de experiências de professores/as que colocam em ação a perspectiva cultural da Educação Física.

Escrevivência é uma criação de Conceição Evaristo, escritora, professora e participante ativa do movimento feminista e de valorização da cultura negra, cuja obra ficcional promove um mergulho no universo marginal que a sociedade finge não ver.

Sua produção não cai na armadilha do realismo brutal que transforma em fetiche favelas, vielas e becos, muito menos, converte a violência em objeto de consumo.

Promove a denúncia social ao reconstruir a intimidade de humilhados e ofendidos, tratando-os como pessoas que sonham e desejam, apesar do sofrimento da exclusão.

Conceição Evaristo se identifica com a intelectualidade afrodescendente em profunda interação com quem é colocado à margem do regramento neoliberal.

Fundindo os gêneros do romance e da escrita de si, sua prosa não esconde fragmentos biográficos que se espalham nas passagens e salpicam os personagens. Nesse emaranhado é possível ver o mundo pela ótica dos sujeitos anônimos que habitam o tecido social.

O conceito escrevivência se materializa em Becos da Memória, livro memorialístico, publicado em 2006 pela editora belo-horizontina Mazza, que retrata uma experiência negra no Brasil.

Propositalmente, as vidas de Conceição Evaristo e da protagonista Maria-Nova se fundem. Em ambas, a leitura antecede a escrita, tornando-se arma para lutar contra as condições desfavoráveis de existência. Criadora e criatura reelaboram o passado composto de cenas vividas.

É o que lhes permite suportar a aspereza do mundo, ao mesmo tempo que dele fogem, nele se inserem. Concebem a escrita como subterfúgio para esconder-se da realidade, para desejar e, na medida em que escrevem, transformar a realidade.

A narrativa de Conceição Evaristo ou Maria-Nova (menina negra, filha de lavadeira, habitante de uma favela e que encontra na escrita uma forma de resistir às adversidades) se solidariza com os desfavorecidos e lentamente apresenta os elementos que se entrelaçam para constituir a escrevivência: o corpo é um arquivo de impressões da vida; a condição é um processo simultaneamente enunciativo e compreensivo e a experiência é a artimanha estética que confere credibilidade ao discurso.

A escrivivência é um modo de falar, ser ouvido, redigir outra história, outra versão, outra epistemologia, que valoriza o sujeito comum do dia a dia, sobre o qual não se fala porque a ninguém interessa. Por meio dela, Conceição Evaristo ou Maria-Nova partilha a missão política de inventar outro futuro para si e para seu coletivo.

A escrivivência é uma bricolagem de memória, história e poética. É a expressão do direito de narrar a si e a suas próprias experiências. Negar a alguém o direito de narrar-se é o mesmo que silenciar e desconsiderar seus conhecimentos. É cometer um assassinato epistêmico.

Escrevivências Da Educação Física Cultural é o inverso disso. Ele traz a público relatos de experiências de professoras e professores que afirmam colocar em ação a perspectiva cultural da Educação Física, também chamada currículo cultural, Educação Física culturalmente orientada ou, simplesmente, Educação Física cultural.

Relatos de experiência podem ser tomados como escrevivências, ao manifestarem impressões do fazer pedagógico vivido pelos próprios autores e autoras.

São histórias de quem propõe, faz junto com os estudantes, reorganiza o seu fazer e aprende cotidianamente. Histórias de quem enfrenta o sol, o vento e a chuva, de quem avança noite adentro na labuta pedagógica.

De quem ouve o barulho da quadra, pátio ou sala de aula. De quem disputa espaços e tempos. De quem, ao desafiar a lógica conteudista, reprodutivista e transmissora das pedagogias modernas, se depara com discordâncias, desentendimentos e muitas dificuldades, mas também recebe apoio e carinho, principalmente das alunas e alunos.

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