
Uma crise universal, um problema complexo, um cenário devastador e um livro plural. Essas são percepções de um leitor que se debruça sobre os capítulos deste livro organizado por Karlane Holanda Araújo e Anderson Gonçalves Costa. São nove capítulos produzidos por vinte e quatro autores de doze instituições distintas, abrangendo questões que afetaram o ensino superior e a educação básica brasileira durante a pandemia da Covid-19.
Para além dos enormes problemas de natureza política e econômica que o país vive, e sobre isso, tanto a ciência política quanto o senso comum e o bom senso já se pronunciaram, a pandemia da Covid-19 afeta a educação brasileira de forma mais intensa devido a um histórico de problemas e rupturas que vinham se acumulando desde 2016.
Naquele ano, o projeto educacional construído com muito esforço e consubstanciado no Plano Nacional de Educação 2014 – 2024 cai por terra com a Emenda Constitucional no 95/2016, que estabeleceu o teto dos gastos públicos por vinte anos. Neste momento, não foram poucos os estudiosos de economia da educação a anunciar o retrocesso que tal medida representava para uma política social que nos países desenvolvidos demanda cada vez mais investimentos.
Enquanto os cientistas da saúde buscavam freneticamente uma vacina para combater o vírus, os cientistas da educação procuravam estratégias e alternativas para manter os alunos, durante os duzentos dias letivos, conectados com o conhecimento escolar. Em duas frentes de batalhas distintas, ambas lutando em nome do presente e do futuro, esses profissionais não mediram esforços para chegar a resultados positivos, e neste livro é possível encontrar alguns relatos de soluções encontradas.
O escancaramento da desigualdade de condições de acesso à internet e a dispositivos para acesso ao ensino remoto por parte dos alunos trouxe à tona uma realidade já conhecida – as iniquidades na oferta da educação brasileira – que afetam de forma contundente os mais pobres, os mais pretos, aqueles que moram nas localidades rurais, nos menores municípios, nos estados mais pobres etc.
Essas evidências, já identificadas em várias pesquisas na área de educação, passam a ocupar lugar de destaque na mídia, mas a falta de sensibilidade do governo federal nada faz para mitigar os problemas imediatos.
