
As categorias caipira e sertaneja, tradicionalmente representações do atraso, são reelaboradas no country, que se apresenta como uma categoria uniformizadora da ruralidade brasileira modernizada. O que se chama de categoria caipira é definida por Antônio Candido em estudo sobre os caipiras do interior paulista, como uma “cultura ligada a formas de sociabilidade e de subsistência que se apoiavam, por assim dizer, em soluções mínimas, apenas suficientes para manter a vida dos indivíduos e a coesão dos bairros”.
E também da contribuição de Hugo de Carvalho Ramos, poeta e escritor goiano, que diz ser importante diferenciar o caipira do sertanejo. “Os caipiras, cujo horizonte visual não vae além do alqueire de terra que lavram, vivem de parcos recursos, são presos à terra, vivendo sedentários e dos recursos da lavoura”.
Segundo Ramos, quem lhes estuda a vida e o meio faria literatura da roça e não sertaneja. Já o sertanejo se caracteriza pela atividade pastoril e, ao contrário do caipira, ele é um “elemento movediço”, pois conduz boiadas e está preso, obviamente, ao contrato com o patrão. Mas o seu universo abrange largas extensões: “desde o pastoreio das manadas num âmbito de várias léguas ao redor das fazendas, sem cercas ou outros limites que a vastidão do deserto até as burradas que leva a vender a Mato Grosso e mais além”
Aqui O Sistema É Bruto: o Universo Sertanejo Country E A Identidade Goiana analisa algumas manifestações do universo sertanejo country em Goiás, a saber, a exposição agropecuária de Goiânia e os rodeios, com o objetivo de identificar as representações presentes nestas festas e relacioná-las a elementos que compõe a identidade goiana.
Importante ressaltar que compreendemos identidade no sentido atribuído por Hall, para quem a identificação coletiva de um grupo é parte de um processo dinâmico e complexo, nunca completado. Neste sentido o universo em questão é apresentado com uma das possibilidades da identidade goiana, entre muitas outras.
A intenção e avaliar a forma através da qual as representações em torno das exposições agropecuárias e dos rodeios se articulam relacionando história e imaginário, recriando personagens como o peão de boiadeiro, revestido com um caráter supostamente moderno e apresentado como cowboy e reelaborando símbolos que referenciam o sertão e a ruralidade em Goiás.
