
A trilogia Viver e Morrer na Peste foi pensada como forma de contribuir para a compreensão do momento dramático vivido por toda a humanidade desde a eclosão da pandemia da Covid-19, doença causada pela propagação do vírus SARS-CoV-2. Penso que as Artes e as Humanidades têm muito a dizer e a fazer pensar – fazer ver, ouvir, sentir – sobre as experiências de vida e de morte frente às epidemias que solapam as sociedades desde os primórdios da História.
Especificamente o volume ora apresentado, Epidemia Na Arte, versa sobre a reflexão acerca desse tema em nossa área de conhecimento, ou seja, como nós artistas e pensadores da arte estamos percebendo e sentindo esse cotidiano que se sobrepõe às nossas vidas, e como também podemos aprender com as experiências do passado.
Os dez autores aqui reunidos, que incluem historiadores, críticos, artistas e poetas, são colaboradores que se dispuseram pensar e compartilhar suas observações, análises e práticas em meio aos próprios acontecimentos e concomitante às manifestações diversas e espontâneas que se sucedem em escala global.
A escolha desses autores conta com colaboradores locais, regionais e internacionais, e se deu a partir do acesso direto, das afinidades, reconhecimento e sentido de urgência que nos aproxima neste momento. Dentro do tema geral “Epidemia na Arte”, os diversos autores tiveram a liberdade de propor seus pontos de vista a partir de suas expertises e vivências.
Assim, a organização deste livro composto por oito capítulos se deu pelo reconhecimento de correspondências identificadas a posteriori em três grandes grupos. Inicialmente, temos duas reflexões que resgatam, por seu caráter histórico, a maneira através da qual artistas agiram e agem, ainda hoje, para enfrentar situações limites como a peste, a guerra e a loucura.
O segundo grupo de ensaios nos aproxima do contexto da Covid-19 e revela seus impactos na percepção de tempo e espaço e como tais noções permeiam a concepção de cidades e a relação com as mortes em grande escala. Por fim, os três trabalhos que encerram esta coletânea aproximam reflexões livres de
produções poéticas no contexto da pandemia.
