
A precarização ética se alastrou no mundo atual. Trata-se da precarização que trouxe a banalização do mal e, em decorrência, a naturalização da insensibilidade.
As mudanças institucionais em todos os âmbitos instauraram novas relações de poder e formas de gestão que atingiram as subjetividades, a sociabilidade e a própria psicopatologia – além de afetar as práticas clínicas. Foi alterada tanto a psicopatologia geral quanto a relacionada ao trabalho.
Atrelada aos princípios hegemônicos, constatamos, também, a deformação de instituições em que se realiza a formação profissional para atuação no campo da saúde e as múltiplas áreas abrangidas pelas ciências do trabalho.
O desafio principal assumido em Trabalho Que Adoece é o enfrentamento da precarização ética tal como ela se apresenta na esfera do trabalho, o que significa urgência para a construção de resistências.
Parte dos autores se volta para a reflexão acerca dos processos de educação/formação profissional escolhendo os estágios como objeto de pesquisa e ação, após terem detectado que aí existiriam possibilidades para desenvolver pesquisas e ações voltadas à germinação e/ou potencialização de resistências.
Assim, os estudos e as experiências práticas relatadas na obra foram realizados junto aos grupos de pesquisa de instituições formadoras de diferentes regiões e Estados.
A percepção da dimensão política presente na engrenagem organizacional é um passo significativo para a ação emancipadora. Nessa ação, é relevante a mobilização por humanização do trabalho e avaliações justas, em que o reconhecimento do sofrimento e dos esforços – e não apenas dos resultados – tenha lugar.
Os autores do textos publicados em Trabalho Que Adoece apresentam, portanto, um conjunto de encaminhamentos possíveis para vencer a precarização ética e o sofrimento. Seria o importante começo de um caminho que é, necessariamente, mais longo.
As mediações e variações do percurso para alcançar esses objetivos são numerosas, o que foi lucidamente apontado pelos autores dessa obra.
