África Insubmissa

O foco principal de África Insubmissa, de Achille Mbembe, é compreender a forma com que se deu o encontro entre as sociedades indígenas e o cristianismo.

Se é verdade que as independências foram consideradas como um dos principais acontecimentos da história africana contemporânea, é forçoso constatar que, hoje em dia, a sua crise de pertinência constitui uma verdadeira provocação à inteligência africana. A aparente deriva do continente negro traduz-se, na prática, na sua marginalização crescente no plano internacional, na implosão política das suas sociedades, no seu declínio econômico e na sua estagnação intelectual.

Achille Mbembe é um cientista político camaronense que possui vasta obra acerca dos estados e sociedades africanas após o colonialismo. Seu livro África Insubmissa: Cristianismo, Poder E Estado Na Sociedade Pós-Colonial foi lançando originalmente em 1988 e traduzido para língua portuguesa em 2013, visto a importância da sua produção acadêmica no debate sobre pós-colonialismo no continente africano.

Esta obra representa um salto em sua produção, tendo em vista que ele sai do âmbito nacional, focado na República dos Camarões, para tratar da África de forma ampla, além de seu caráter inovador por tratar do processo pós-colonial a partir do próprio palco do colonialismo.

África Insubmissa se trata de um processo de desmistificação do que é apresentado na história “oficial” eurocentrada – que permeia o senso comum – sobre a colonização europeia no continente africano, com ênfase na inserção do cristianismo no continente e sua busca por hegemonia. O primeiro fator que chama atenção desde o prefácio da obra é a substituição do termo “nativo”, tão comum na escrita antropológica, por “indígena”, denotando um não-sujeito e aproximando-se da significação de autóctone.

O autor traz esse termo a fim de determinar quais eram as sociedades sobre as quais o catolicismo teria tentando estabelecer hegemonia e, assim, facilitar o contraste entre elas: os colonizadores e os Estados pós-coloniais que surgiram após o processo de neocolonialismo.

Para o autor, o fator de mais relevância que ocorreu durante o acontecimento pós-colonial – conjunto de mudanças que ocorreram após a independência dos países na África – foi “o regresso ou a redescoberta das sociedades enquanto agentes centrais do presente e do futuro de África”, dando a centralidade aos agentes internos, não aos elementos externos.

O foco principal de África Insubmissa é compreender a forma com que se deu o encontro entre as sociedades indígenas e o cristianismo. Segundo o autor, o evento foi marcado por violência de ambos os lados, e em especial pelo comportamento agressivo das sociedades indígenas que não pretendiam se submeter à dominação europeia. A indisciplina e indocilidade demonstram a não passividade.

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O foco principal de África Insubmissa, de Achille Mbembe, é compreender a forma com que se deu o encontro entre as sociedades indígenas e o cristianismo.

Se é verdade que as independências foram consideradas como um dos principais acontecimentos da história africana contemporânea, é forçoso constatar que, hoje em dia, a sua crise de pertinência constitui uma verdadeira provocação à inteligência africana. A aparente deriva do continente negro traduz-se, na prática, na sua marginalização crescente no plano internacional, na implosão política das suas sociedades, no seu declínio econômico e na sua estagnação intelectual.

Achille Mbembe é um cientista político camaronense que possui vasta obra acerca dos estados e sociedades africanas após o colonialismo. Seu livro África Insubmissa: Cristianismo, Poder E Estado Na Sociedade Pós-Colonial foi lançando originalmente em 1988 e traduzido para língua portuguesa em 2013, visto a importância da sua produção acadêmica no debate sobre pós-colonialismo no continente africano.

Esta obra representa um salto em sua produção, tendo em vista que ele sai do âmbito nacional, focado na República dos Camarões, para tratar da África de forma ampla, além de seu caráter inovador por tratar do processo pós-colonial a partir do próprio palco do colonialismo.

África Insubmissa se trata de um processo de desmistificação do que é apresentado na história “oficial” eurocentrada – que permeia o senso comum – sobre a colonização europeia no continente africano, com ênfase na inserção do cristianismo no continente e sua busca por hegemonia. O primeiro fator que chama atenção desde o prefácio da obra é a substituição do termo “nativo”, tão comum na escrita antropológica, por “indígena”, denotando um não-sujeito e aproximando-se da significação de autóctone.

O autor traz esse termo a fim de determinar quais eram as sociedades sobre as quais o catolicismo teria tentando estabelecer hegemonia e, assim, facilitar o contraste entre elas: os colonizadores e os Estados pós-coloniais que surgiram após o processo de neocolonialismo.

Para o autor, o fator de mais relevância que ocorreu durante o acontecimento pós-colonial – conjunto de mudanças que ocorreram após a independência dos países na África – foi “o regresso ou a redescoberta das sociedades enquanto agentes centrais do presente e do futuro de África”, dando a centralidade aos agentes internos, não aos elementos externos.

O foco principal de África Insubmissa é compreender a forma com que se deu o encontro entre as sociedades indígenas e o cristianismo. Segundo o autor, o evento foi marcado por violência de ambos os lados, e em especial pelo comportamento agressivo das sociedades indígenas que não pretendiam se submeter à dominação europeia. A indisciplina e indocilidade demonstram a não passividade.

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