Marcos Ferreira Andrade – Elites Regionais E A Formação Do Estado Imperial Brasileiro: Minas Gerais – Campanha Da Princesa (1799-1850)

Elites Regionais E A Formação Do Estado Imperial Brasileiro é uma leitura obrigatória para os que pretendem conhecer o Brasil do século XIX ou ainda saber como um historiador age em seu ofício.

De início o livro apresenta um dos vários cenários econômicos e sociais possíveis das áreas voltadas para o mercado interno oitocentista.

Em Campanha da Princesa temos fazendas com imensas escravarias mantidas pelo tráfico atlântico de africanos, complexos negócios comerciais, uma hierarquia social ciosa de suas diferenças e, no seu topo, poderosas famílias empenhadas em manter suas posições de mando econômico e político.

Assim, Marcos Ferreira de Andrade demonstra que o mercado interno não era só alimentado por um mar de camponeses e por multidões de pequenas explorações escravistas.

E, da mesma forma, ele prova que a grande política do império tinha por agentes as elites regionais, além dos já conhecidos barões do café, do açúcar e dos negociantes de grosso trato.

Por estes motivos, Elites Regionais E A Formação Do Estado Imperial Brasileiro inscreve-se entre as referências bibliográficas sobre os circuitos comerciais mineiros e a sociedade brasileira do oitocentos, ao lado de autores como Alcir Lenharo e Afonso Alencastro Graça Filho.

Mas, além desta qualidade, Elites Regionais E A Formação Do Estado Imperial Brasileiro é uma verdadeira aula sobre os procedimentos metodológicos de como fazer pesquisa profissional em história.

Nele encontramos a solidez possível dos Annales de Marc Bloch e Ernest Labrousse combinado à elegância da prosopografia de Lawrence Stone. Basta lembrar que, dos primeiros autores, Marcos Andrade retira apreensão de temas gerais (como escravidão e mercado interno) através da abordagem regional e o uso de técnicas seriais para o estudo de processos históricos.

No caso da prosopografia, temos algo que muitos historiadores das elites sociais almejam, no entanto, poucos conseguem: cuidadoso entrelaçamento entre os traços políticos, econômicos com os da vida cotidiana e do lazer no desenho do rosto de um determinado grupo social.

 

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