Ulrich Brand & Markus Wissen – Modo De Vida Imperial

O livro Modo De Vida Imperial nos convida a construir modos de vida solidários como forma de desarmar a constante modernização do capitalismo

Ulrich Brand & Markus Wissen – Modo De Vida Imperial: Sobre A Exploração Dos Seres Humanos E Da Natureza No Capitalismo Global

Com “modo de vida imperial” (ou imperialista), o livro lança um termo novo para o debate sobre os sistemas de desigualdade inerentes ao capitalismo. Esse termo tenta construir pontes entre o dia a dia de cada uma e cada um, entre os processos produtivos globais e o consumo global, aludindo também às políticas públicas implicadas.

O livro descreve como os processos de concentração e privatização dos lucros, por um lado, e externalização de custos sociais e ecológicos, por outro, ocorrem de forma análoga em diversas épocas do capitalismo.

A leitura então responde “para onde” são endereçadas essas externalizações, seja na própria sociedade, seja para além de suas fronteiras, ou até mesmo refletidas na “divisão internacional do trabalho”. Trata-se de investigar tanto as externalizações geradas por condições de trabalho precárias quanto aquelas implicadas na crescente interação da natureza com mecanismos de mercado.

Chama a atenção a forma como os autores apontam por onde correm as linhas tênues entre uma análise crítica e a conveniência de se fazer parte do sistema, bem como o deslocamento histórico dessas linhas.

Ulrich Brand e Markus Wissen descrevem como se torna parte da normalidade o processo contínuo de se incluírem novas parcelas da(s) sociedade(s) no sistema e a necessidade de se abrir constantemente espaços adicionais de externalização. Surgem repetidamente novas promessas de mobilidade social, de possibilidades de consumo e de inclusão.

Os autores mostram como é fácil fazer parte do sistema, deixar de questionar contradições devido a benefícios pessoais, sejam eles grandes ou pequenos, e abster-se de olhar além das fronteiras da região vencedora ou da classe de vencedores desse processo.

É possível observar o modo de vida imperial mesmo no Brasil. Nos anos de boom das commodities, na primeira década deste século, parte dos lucros com a venda de recursos foi redistribuída sob o governo socialdemocrata de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Com ele, uma parte significativa da população brasileira viveu uma ascensão à chamada “nova classe média”, ou classe C.

De repente, esse grupo teve acesso a um consumo que até então parecia inalcançável, desenvolvendo assim uma autoimagem de integração ao sistema — feita, porém, pela via do consumo. Nesse período, a externalização foi movida rumo à exploração de recursos.

A crise econômica resultou na desaceleração do crescimento, em decorrência da qual muitos perderam o status de “classe média”, assim como a classe média mais tradicional viu sua própria posição social ameaçada.


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Ulrich Brand & Markus Wissen – Modo De Vida Imperial

O livro Modo De Vida Imperial nos convida a construir modos de vida solidários como forma de desarmar a constante modernização do capitalismo

Ulrich Brand & Markus Wissen - Modo De Vida Imperial: Sobre A Exploração Dos Seres Humanos E Da Natureza No Capitalismo Global

Com “modo de vida imperial” (ou imperialista), o livro lança um termo novo para o debate sobre os sistemas de desigualdade inerentes ao capitalismo. Esse termo tenta construir pontes entre o dia a dia de cada uma e cada um, entre os processos produtivos globais e o consumo global, aludindo também às políticas públicas implicadas.

O livro descreve como os processos de concentração e privatização dos lucros, por um lado, e externalização de custos sociais e ecológicos, por outro, ocorrem de forma análoga em diversas épocas do capitalismo.

A leitura então responde “para onde” são endereçadas essas externalizações, seja na própria sociedade, seja para além de suas fronteiras, ou até mesmo refletidas na “divisão internacional do trabalho”. Trata-se de investigar tanto as externalizações geradas por condições de trabalho precárias quanto aquelas implicadas na crescente interação da natureza com mecanismos de mercado.

Chama a atenção a forma como os autores apontam por onde correm as linhas tênues entre uma análise crítica e a conveniência de se fazer parte do sistema, bem como o deslocamento histórico dessas linhas.

Ulrich Brand e Markus Wissen descrevem como se torna parte da normalidade o processo contínuo de se incluírem novas parcelas da(s) sociedade(s) no sistema e a necessidade de se abrir constantemente espaços adicionais de externalização. Surgem repetidamente novas promessas de mobilidade social, de possibilidades de consumo e de inclusão.

Os autores mostram como é fácil fazer parte do sistema, deixar de questionar contradições devido a benefícios pessoais, sejam eles grandes ou pequenos, e abster-se de olhar além das fronteiras da região vencedora ou da classe de vencedores desse processo.

É possível observar o modo de vida imperial mesmo no Brasil. Nos anos de boom das commodities, na primeira década deste século, parte dos lucros com a venda de recursos foi redistribuída sob o governo socialdemocrata de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). Com ele, uma parte significativa da população brasileira viveu uma ascensão à chamada “nova classe média”, ou classe C.

De repente, esse grupo teve acesso a um consumo que até então parecia inalcançável, desenvolvendo assim uma autoimagem de integração ao sistema — feita, porém, pela via do consumo. Nesse período, a externalização foi movida rumo à exploração de recursos.

A crise econômica resultou na desaceleração do crescimento, em decorrência da qual muitos perderam o status de “classe média”, assim como a classe média mais tradicional viu sua própria posição social ameaçada.


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