A Voz De Itapuã

O livro A Voz De Itapuã é um dos frutos do Projeto História dos Bairros de Salvador, desenvolvido nas décadas finais do século XX.

A Voz De Itapuã é um dos frutos do Projeto História dos Bairros de Salvador, desenvolvido nas décadas finais do século XX, na então Fundação Cultural do Estado da Bahia. Trata-se de um projeto de história oral e ação social, que contou com a participação de pesquisadores e de pessoas dispostas a dar depoimentos sobre seu bairro, nesse caso o bairro de Itapuã. A pesquisa articula as narrativas de cada entrevistado com o discurso identitário baseado na memória compartilhada pelo grupo, introduzindo, de forma contundente, o indivíduo na história social da qual participa.

A memória da Itapuã dos pescadores tal como nos propõe Tania Gandon não é nostálgica, lamentação diante do desaparecimento de um mundo conhecido. Na realidade, seria este mundo verdadeiramente idílico? A escravidão não estava muito distante no tempo e dela subsistiam entraves bem reais.

A historiadora não esconde nada sobre esse fato. Guarda, porém, a esperança por uma boa razão: essa cultura soube resistir justamente porque não se encontrava fechada sobre si, mas, ao contrário, flexível, sendo mesmo capaz de acolher influências de intelectuais e artistas, assim como, em contrapartida, ela nutria grandes textos literários como os de Jorge Amado e os de cantores compositores mundialmente conhecidos como Dorival Caymmi e, mais recentemente, Caetano Veloso. A circularidade fez-se regra nesse processo, estimulando a capacidade de recriações inesperadas de canções e textos da tradição oral.

O que era verdade há meio século deve sê-lo ainda hoje: essa é a convicção profunda da autora. É bem verdade que Itapuã atualmente é um bairro de Salvador marcado por extrema violência. Três meses após ter escutado e apreciado o relato que ficou gravado com Dona Francisquinha falando sobre manifestações culturais de outrora, o ecologista Antonio Nativo foi assassinado.

Essa narrativa dramática acaba, no entanto, com o apelo a novas pesquisas sobre a dinâmica cultural em Itapuã, tendo como espelho, ou contraponto, o sorriso de Dona Detinha, que inspirou a reflexão poética sobre história e realidade, no final do livro.

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O livro A Voz De Itapuã é um dos frutos do Projeto História dos Bairros de Salvador, desenvolvido nas décadas finais do século XX.

A Voz De Itapuã é um dos frutos do Projeto História dos Bairros de Salvador, desenvolvido nas décadas finais do século XX, na então Fundação Cultural do Estado da Bahia. Trata-se de um projeto de história oral e ação social, que contou com a participação de pesquisadores e de pessoas dispostas a dar depoimentos sobre seu bairro, nesse caso o bairro de Itapuã. A pesquisa articula as narrativas de cada entrevistado com o discurso identitário baseado na memória compartilhada pelo grupo, introduzindo, de forma contundente, o indivíduo na história social da qual participa.

A memória da Itapuã dos pescadores tal como nos propõe Tania Gandon não é nostálgica, lamentação diante do desaparecimento de um mundo conhecido. Na realidade, seria este mundo verdadeiramente idílico? A escravidão não estava muito distante no tempo e dela subsistiam entraves bem reais.

A historiadora não esconde nada sobre esse fato. Guarda, porém, a esperança por uma boa razão: essa cultura soube resistir justamente porque não se encontrava fechada sobre si, mas, ao contrário, flexível, sendo mesmo capaz de acolher influências de intelectuais e artistas, assim como, em contrapartida, ela nutria grandes textos literários como os de Jorge Amado e os de cantores compositores mundialmente conhecidos como Dorival Caymmi e, mais recentemente, Caetano Veloso. A circularidade fez-se regra nesse processo, estimulando a capacidade de recriações inesperadas de canções e textos da tradição oral.

O que era verdade há meio século deve sê-lo ainda hoje: essa é a convicção profunda da autora. É bem verdade que Itapuã atualmente é um bairro de Salvador marcado por extrema violência. Três meses após ter escutado e apreciado o relato que ficou gravado com Dona Francisquinha falando sobre manifestações culturais de outrora, o ecologista Antonio Nativo foi assassinado.

Essa narrativa dramática acaba, no entanto, com o apelo a novas pesquisas sobre a dinâmica cultural em Itapuã, tendo como espelho, ou contraponto, o sorriso de Dona Detinha, que inspirou a reflexão poética sobre história e realidade, no final do livro.

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