Suzana Guerra Albornoz – O Enigma Da Esperança

A obra de Ernst Bloch tem um caráter literário muito especial. O gênero é o ensaio; o estilo é o enigma, o drama, a retórica.

Suzana Guerra Albornoz – O Enigma Da Esperança: Ernst Bloch E As Margens Da História Do Espírito

A obra de Ernst Bloch tem um caráter literário muito especial. O gênero é o ensaio; o estilo é o enigma, o drama, a retórica. E nesse oceano literário que os entendidos chamam de barroco e expressionista, passamos com a maior indisciplina e susto da ontologia à lógica, da cosmologia à antropologia, da fenomenologia à história, da gnoseologia à estética, e da ética à doutrinação e à propaganda sem máscaras.

Como se tece de concepções sobre o ser, o logos, a natureza, a linguagem, o mundo, o homem, a história, a ciência, a cultura, a arte, a técnica e a ação política, é uma obra que tem caráter de sistema, embora este nunca se feche. O pensamento de Bloch se apresenta como um sistema aberto. Nesse sistema se combinam o velho e o novo.

Entre as heranças mais evidentes estão os traços de misticismo e messianismo da tradição judaico-cristã, bem como a marca da cultura alemã: a veneração pela música, as paixões do romantismo, o gosto das coisas obscuras e clandestinas como a alquimia, a maçonaria e os movimentos considerados hereges do cristianismo.

Da história da filosofia Bloch integra no seu sistema filosófico concepções nada novas como a da matéria dinâmica e em constante movimento de determinação e indeterminação – que ele recebe de Aristóteles, via Avicena e outros filósofos árabes e espanhóis, do que Bloch chama “a esquerda aristotélica”. Em estreita relação com tal concepção, a de natureza criadora, natureza que se refaz natureza, natura naturans, segundo a expressão de Spinoza.

O novo e original no surpreendente conjunto das obras de Ernst Bloch – além de certa ordenação do sistema aberto, que dá novas significações mesmo às mais antigas ideias herdadas; e além da exploração central ontológica da categoria da possibilidade – me parece ser a revaloração da faculdade de imaginação humana, que provoca uma reconceituação da utopia, possibilitando uma nova versão do marxismo e uma outra direção para a ética.


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Suzana Guerra Albornoz – O Enigma Da Esperança

A obra de Ernst Bloch tem um caráter literário muito especial. O gênero é o ensaio; o estilo é o enigma, o drama, a retórica.

Suzana Guerra Albornoz - O Enigma Da Esperança: Ernst Bloch E As Margens Da História Do Espírito

A obra de Ernst Bloch tem um caráter literário muito especial. O gênero é o ensaio; o estilo é o enigma, o drama, a retórica. E nesse oceano literário que os entendidos chamam de barroco e expressionista, passamos com a maior indisciplina e susto da ontologia à lógica, da cosmologia à antropologia, da fenomenologia à história, da gnoseologia à estética, e da ética à doutrinação e à propaganda sem máscaras.

Como se tece de concepções sobre o ser, o logos, a natureza, a linguagem, o mundo, o homem, a história, a ciência, a cultura, a arte, a técnica e a ação política, é uma obra que tem caráter de sistema, embora este nunca se feche. O pensamento de Bloch se apresenta como um sistema aberto. Nesse sistema se combinam o velho e o novo.

Entre as heranças mais evidentes estão os traços de misticismo e messianismo da tradição judaico-cristã, bem como a marca da cultura alemã: a veneração pela música, as paixões do romantismo, o gosto das coisas obscuras e clandestinas como a alquimia, a maçonaria e os movimentos considerados hereges do cristianismo.

Da história da filosofia Bloch integra no seu sistema filosófico concepções nada novas como a da matéria dinâmica e em constante movimento de determinação e indeterminação – que ele recebe de Aristóteles, via Avicena e outros filósofos árabes e espanhóis, do que Bloch chama “a esquerda aristotélica”. Em estreita relação com tal concepção, a de natureza criadora, natureza que se refaz natureza, natura naturans, segundo a expressão de Spinoza.

O novo e original no surpreendente conjunto das obras de Ernst Bloch – além de certa ordenação do sistema aberto, que dá novas significações mesmo às mais antigas ideias herdadas; e além da exploração central ontológica da categoria da possibilidade – me parece ser a revaloração da faculdade de imaginação humana, que provoca uma reconceituação da utopia, possibilitando uma nova versão do marxismo e uma outra direção para a ética.


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