Silvio Romero – Obra Viva

O presente volume demonstra claramente que Silvio Romero foi o primeiro historiador da literatura brasileira dotado de uma filosofia clara, de tal modo que produz resultados instigantes ― não leremos nessa obra uma listagem supostamente completa de coisa alguma, mas uma interpretação empenhada de movimentos, obras e autores decisivos da formação de nossas letras, considerados no quadro amplo da sociedade existente, sem varrer nada para debaixo do tapete, nem mesmo as mazelas do escravismo, que tanto constrangimento causava aos letrados mais delicados. Silvio Romero influenciou diretamente figuras de alto valor, como Mário de Andrade, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro, pensadores de destaque no país. Darcy, aliás, sobre os livros de Romero anotou tratar-se de Obra viva. Se leitores assim produtivos e relevantes tiveram Romero na conta de importante, é porque, definitivamente, ele não é menos que isso.
Nunca foi fácil a vida de um intelectual que viva na periferia da Europa e queira exercer a prerrogativa do pensamento crítico. Ainda pior é quando este pensamento crítico procura desenvolver-se sobre um tema espinhoso, colhido no vasto campo das humanidades e das artes, objetos fugidios, de contornos pouco claros e cem por cento dependentes de opinião. Problema que começa pelo mais óbvio dos questionamentos: em país periférico, o que vale mais em arte: será aquele livro ou aquela peça musical que quer ser igual à arte do centro culto? Ou será aquele que procura a originalidade local, em contraste com o centro culto e
auscultando a vida real da periferia?
Sílvio Romero é um dos casos paradigmáticos desse tipo de pensador. Nascido e criado em província secundária, viveu na capital brasileira do século XIX, o Rio de Janeiro, a plenitude de sua atividade intelectual, mas sem as facilidades que um conformista logo encontraria. Para Romero, o problema estava no objeto que elegeu estudar, a literatura, mas também nos métodos de estudo e nos condicionantes objetivos da arte, incluindo a recepção.


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Silvio Romero – Obra Viva

O presente volume demonstra claramente que Silvio Romero foi o primeiro historiador da literatura brasileira dotado de uma filosofia clara, de tal modo que produz resultados instigantes ― não leremos nessa obra uma listagem supostamente completa de coisa alguma, mas uma interpretação empenhada de movimentos, obras e autores decisivos da formação de nossas letras, considerados no quadro amplo da sociedade existente, sem varrer nada para debaixo do tapete, nem mesmo as mazelas do escravismo, que tanto constrangimento causava aos letrados mais delicados. Silvio Romero influenciou diretamente figuras de alto valor, como Mário de Andrade, Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro, pensadores de destaque no país. Darcy, aliás, sobre os livros de Romero anotou tratar-se de Obra viva. Se leitores assim produtivos e relevantes tiveram Romero na conta de importante, é porque, definitivamente, ele não é menos que isso.
Nunca foi fácil a vida de um intelectual que viva na periferia da Europa e queira exercer a prerrogativa do pensamento crítico. Ainda pior é quando este pensamento crítico procura desenvolver-se sobre um tema espinhoso, colhido no vasto campo das humanidades e das artes, objetos fugidios, de contornos pouco claros e cem por cento dependentes de opinião. Problema que começa pelo mais óbvio dos questionamentos: em país periférico, o que vale mais em arte: será aquele livro ou aquela peça musical que quer ser igual à arte do centro culto? Ou será aquele que procura a originalidade local, em contraste com o centro culto e
auscultando a vida real da periferia?
Sílvio Romero é um dos casos paradigmáticos desse tipo de pensador. Nascido e criado em província secundária, viveu na capital brasileira do século XIX, o Rio de Janeiro, a plenitude de sua atividade intelectual, mas sem as facilidades que um conformista logo encontraria. Para Romero, o problema estava no objeto que elegeu estudar, a literatura, mas também nos métodos de estudo e nos condicionantes objetivos da arte, incluindo a recepção.


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