Sérgio Murilo Santos De Araújo (Org.) – Rios E Homens

Os autores abordam os seus rios, seus no sentido da pesquisa, no sentido do pertencimento, porque eles são dos homens, mas os homens são também dos rios.

Sérgio Murilo Santos De Araújo (Org.) – Rios E Homens: Cursos Transformados Na Relação Sociedade-Natureza

Quando um rio atravessa uma cidade logo se pensa na sua função social, natural e paisagística. Mas o que é um rio na cidade?

Desde tempos remotos os rios tem sido alvo de ações humanas, e em tais ações sendo transformado através de relações. Às vezes, em relações harmônicas e, muitas vezes, desarmônicas. Estas últimas decorrendo de que o rio se torna “uma pedra no meio do caminho”.

Como diz o poema de Carlos Drumond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho/ tinha uma pedra/ no meio do caminho tinha uma pedra”. Neste livro podemos fazer uma comparação e modificar parte do poema, mas não muito, como: “No meio do caminho tinha um rio/tinha um rio no meio do caminho/ tinha um rio/ No meio do caminho tinha um rio”. Mas, o rio também é caminho e a cidade pode ser a pedra.

Os rios podem ser “pedras”, ou alvo, de se perseguir, de se transformar ou de se matar. No ambiente urbano, o rio é uma pedra, um caminho, um descaminho, um esgoto, um problema.

Nas cidades este elemento da paisagem foi sendo estrangulado para dar lugar às praças e jardins, para abrigar populações abastadas ou vulneráveis, para ser canalizado, com vistas a correr mais rápido e sair da cidade.

Os rios têm servido para diversos fins, para sua afirmação ou negação e sendo enterrados mortos ou vivos; o que aconteceu com alguns rios para favorecer a urbanização, a construção de uma cidade de pedra, geralmente uma cidade seca por cima, sem água, com rios drenados e mortos ou subterrâneos.

Neste livro o rio e a cidade se relacionam. Nos textos os autores abordam os seus rios, seus no sentido da pesquisa, no sentido do pertencimento, porque os rios são dos homens, mas os homens são também dos rios; dos homens que questionam, analisam e vivem o rio.

Assim, foi pensado, ao longo da realização do livro, em trazer pesquisas sob olhares diversos de uma abordagem geográfica, paisagística, social, natural etc.

Não importa a formação do pesquisador, mas um rio é antes de tudo um recurso, um alvo, um elemento de interação sendo, portanto, alvo de pesquisas interdisciplinares, que comporta a gestão, a apropriação e o pensar.

Os rios aqui abordados são transformados, humanizados e urbanizados, apropriados e em relações de dualidade entre o conflito e a paixão – numa dialética entre a sociedade e a natureza.

Mas são rios que podem ser gestados de melhor forma e trazer benefícios para os homens evitando-se sempre a degradação do recurso natural.


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Sérgio Murilo Santos De Araújo (Org.) – Rios E Homens

Os autores abordam os seus rios, seus no sentido da pesquisa, no sentido do pertencimento, porque eles são dos homens, mas os homens são também dos rios.

Sérgio Murilo Santos De Araújo (Org.) - Rios E Homens: Cursos Transformados Na Relação Sociedade-Natureza

Quando um rio atravessa uma cidade logo se pensa na sua função social, natural e paisagística. Mas o que é um rio na cidade?

Desde tempos remotos os rios tem sido alvo de ações humanas, e em tais ações sendo transformado através de relações. Às vezes, em relações harmônicas e, muitas vezes, desarmônicas. Estas últimas decorrendo de que o rio se torna “uma pedra no meio do caminho”.

Como diz o poema de Carlos Drumond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho/ tinha uma pedra/ no meio do caminho tinha uma pedra”. Neste livro podemos fazer uma comparação e modificar parte do poema, mas não muito, como: “No meio do caminho tinha um rio/tinha um rio no meio do caminho/ tinha um rio/ No meio do caminho tinha um rio”. Mas, o rio também é caminho e a cidade pode ser a pedra.

Os rios podem ser “pedras”, ou alvo, de se perseguir, de se transformar ou de se matar. No ambiente urbano, o rio é uma pedra, um caminho, um descaminho, um esgoto, um problema.

Nas cidades este elemento da paisagem foi sendo estrangulado para dar lugar às praças e jardins, para abrigar populações abastadas ou vulneráveis, para ser canalizado, com vistas a correr mais rápido e sair da cidade.

Os rios têm servido para diversos fins, para sua afirmação ou negação e sendo enterrados mortos ou vivos; o que aconteceu com alguns rios para favorecer a urbanização, a construção de uma cidade de pedra, geralmente uma cidade seca por cima, sem água, com rios drenados e mortos ou subterrâneos.

Neste livro o rio e a cidade se relacionam. Nos textos os autores abordam os seus rios, seus no sentido da pesquisa, no sentido do pertencimento, porque os rios são dos homens, mas os homens são também dos rios; dos homens que questionam, analisam e vivem o rio.

Assim, foi pensado, ao longo da realização do livro, em trazer pesquisas sob olhares diversos de uma abordagem geográfica, paisagística, social, natural etc.

Não importa a formação do pesquisador, mas um rio é antes de tudo um recurso, um alvo, um elemento de interação sendo, portanto, alvo de pesquisas interdisciplinares, que comporta a gestão, a apropriação e o pensar.

Os rios aqui abordados são transformados, humanizados e urbanizados, apropriados e em relações de dualidade entre o conflito e a paixão – numa dialética entre a sociedade e a natureza.

Mas são rios que podem ser gestados de melhor forma e trazer benefícios para os homens evitando-se sempre a degradação do recurso natural.


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