A Águia E O Dragão: Ambições Europeias E Mundialização No Século XVI

Escritores da primeira metade do século XX percorreram os caminhos que nos levaram do México à China. Por muito tempo Jean Giraudoux nos sugeriu um título, “A guerra da China não acontecerá”, que foi preciso abandonar.


Paul Claudel soube ressuscitar mundos que, hoje, talvez sejamos mais capazes de compreender. Nas jornadas de O sapato de cetim (1929) dialogam seres vindos dos quatro cantos do globo. “O palco deste drama é o mundo, e mais especialmente a Espanha no final do século XVI.”
Ao “comprimir os países e as épocas”, Claudel não pretendia fazer um trabalho de historiador, mas nos mergulhava nos remoinhos de uma globalização. Uma globalização que não era nem a primeira nem a última, mas que se instalou rapidamente durante o século XVI, na esteira das expedições portuguesas e espanholas. A águia asteca e o dragão chinês sofreram, então, os primeiros efeitos da desmesura europeia.
Essa globalização é um fenômeno diferente da expansão europeia, que mobilizou muitos recursos técnicos, financeiros, espirituais e humanos. Ela respondeu a opções políticas, cálculos econômicos e aspirações religiosas que se conjugaram, com menor ou maior eficácia, para atrair marinheiros, soldados, padres e comerciantes a milhares de quilômetros de distância da península Ibérica, num deslocamento em todas as direções do mundo.
A expansão ibérica provocou reações em cadeia e, com frequência, choques que desestabilizaram sociedades inteiras. Foi o que aconteceu na América. A Ásia enfrentou algo mais forte do que ela, quando não atolou nos pântanos e nas florestas da África.
A imagem de uma progressão inelutável dos europeus, quer exaltemos suas virtudes heroicas e civilizadoras, quer a condenemos às gemônias, é uma ilusão da qual é bem difícil se desfazer. Resulta de uma visão linear e teleológica da história que continua a aderir à pena do historiador e ao olho do leitor.
O que é equivocado quanto à expansão ibérica é ainda mais errado quanto à globalização, que podemos definir como a proliferação de todos os tipos de vínculo entre partes do mundo que até então se ignoravam ou se relacionavam com enorme distanciamento.

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