Selmo Azevedo Apontes – Palavras Com Quem Com-Verso, Para Desdobrar-me

Palavras Com Quem Com-Verso, Para Desdobrar-me rompem com as cadeias da norma para proporem um mergulho no vértice da linguagem.

Selmo Azevedo Apontes – Palavras Com Quem Com-Verso, Para Desdobrar-me

A sina de todo poeta é, de forma indubitável, ir além dos limites dos seres de barro, pois estes, limitados que são, fenecem ante a indomável força da Vida, que, irônica, paradoxal, mas naturalmente, despe-se e apresenta-se com a indelével face da Morte; elos indissociáveis e (con)geminados de uma verdade imemorial, que, desde sempre, fora talhada para ser o próprio mistério, o enigma em forma de selo – sigillum – o segredo que tomba os deuses dos céus e sepulta as criaturas na terra, transformando todos, indistintamente, em pó, cinzas telúricas duma poeira estelar a vagar dispersa no Universo sem fim.

O turno poético de uma tessitura que nos impõe, como senda a ser percorrida, sinuosamente, o diálogo com as palavras é, incontestavelmente, um convite à loucura; a insanidade que, um dia, amortalhou as almas boêmias dos românticos no século XIX, a angústia, que faz parte do receituário anímico de todo filósofo, em busca da alquimia do espírito, e o desejo quase impossível de, num futuro onírico, alçarmos voos espetaculares, como pássaros de fogo, escapando de algum labirinto traiçoeiro para desmedirmo-nos, de forma singular, em rebentos solares.

Somos, na condição de leitores da poética nascente de Selmo Azevedo Apontes, con-vocados para, numa grande con-fusão, fazermos parte de uma verdade que paira acima da lógica e das razões fundadas em sentidos que sofrem a erosão implacável do Tempo.

Assim, con-versar com as palavras é ser entorpecido pelas vísceras luminescentes que dão origem, forma e significado ao verbo; grifo primevo; semente ígnea plantada pelas deidades míticas no filamento de cada qual a compor a grande fábula que é o Cosmo, em sua pluridimensionalidade.

Os poemas do tecido di-verso intitulado Palavras Com Quem Com-Verso, Para Desdobrar-me não são texturas líricas cabíveis em ritos canônicos ou em criticismos oficiais e unânimes; antes, rompem com as cadeias palatáveis e aprazíveis da norma para proporem um mergulho no vértice da linguagem mais radical, que traduz a essência do humano e sua relação simbiótica com a realidade compreendida como camadas incontáveis entrecruzando-se permanentemente, ou gradações da própria luz, segundo a visão aristotélica sobre a verdade que se revela em níveis infinitos; ou, ainda, apropriando-se do risco heideggeriano, ao denunciar que a verdade fabula um jogo maravilhoso e fantástico de abertura e fechamento da própria realidade em sua corporeidade intangível.

Esse fenômeno é possível somente pelo fazer poético, e Selmo Azevedo Apontes, com sensibilidade e maestria, transforma poemas (re)talhados em uma con-versa, que tem apenas o início. Quanto ao fim, para o desespero de seus leitores, é algo tão longínquo quanto inacabado, porque a sua poesia é feita de tecidos e sentimentos que se encerram na incompletude do Ser.

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Selmo Azevedo Apontes – Palavras Com Quem Com-Verso, Para Desdobrar-me

Palavras Com Quem Com-Verso, Para Desdobrar-me rompem com as cadeias da norma para proporem um mergulho no vértice da linguagem.

Selmo Azevedo Apontes - Palavras Com Quem Com-Verso, Para Desdobrar-me

A sina de todo poeta é, de forma indubitável, ir além dos limites dos seres de barro, pois estes, limitados que são, fenecem ante a indomável força da Vida, que, irônica, paradoxal, mas naturalmente, despe-se e apresenta-se com a indelével face da Morte; elos indissociáveis e (con)geminados de uma verdade imemorial, que, desde sempre, fora talhada para ser o próprio mistério, o enigma em forma de selo - sigillum - o segredo que tomba os deuses dos céus e sepulta as criaturas na terra, transformando todos, indistintamente, em pó, cinzas telúricas duma poeira estelar a vagar dispersa no Universo sem fim.

O turno poético de uma tessitura que nos impõe, como senda a ser percorrida, sinuosamente, o diálogo com as palavras é, incontestavelmente, um convite à loucura; a insanidade que, um dia, amortalhou as almas boêmias dos românticos no século XIX, a angústia, que faz parte do receituário anímico de todo filósofo, em busca da alquimia do espírito, e o desejo quase impossível de, num futuro onírico, alçarmos voos espetaculares, como pássaros de fogo, escapando de algum labirinto traiçoeiro para desmedirmo-nos, de forma singular, em rebentos solares.

Somos, na condição de leitores da poética nascente de Selmo Azevedo Apontes, con-vocados para, numa grande con-fusão, fazermos parte de uma verdade que paira acima da lógica e das razões fundadas em sentidos que sofrem a erosão implacável do Tempo.

Assim, con-versar com as palavras é ser entorpecido pelas vísceras luminescentes que dão origem, forma e significado ao verbo; grifo primevo; semente ígnea plantada pelas deidades míticas no filamento de cada qual a compor a grande fábula que é o Cosmo, em sua pluridimensionalidade.

Os poemas do tecido di-verso intitulado Palavras Com Quem Com-Verso, Para Desdobrar-me não são texturas líricas cabíveis em ritos canônicos ou em criticismos oficiais e unânimes; antes, rompem com as cadeias palatáveis e aprazíveis da norma para proporem um mergulho no vértice da linguagem mais radical, que traduz a essência do humano e sua relação simbiótica com a realidade compreendida como camadas incontáveis entrecruzando-se permanentemente, ou gradações da própria luz, segundo a visão aristotélica sobre a verdade que se revela em níveis infinitos; ou, ainda, apropriando-se do risco heideggeriano, ao denunciar que a verdade fabula um jogo maravilhoso e fantástico de abertura e fechamento da própria realidade em sua corporeidade intangível.

Esse fenômeno é possível somente pelo fazer poético, e Selmo Azevedo Apontes, com sensibilidade e maestria, transforma poemas (re)talhados em uma con-versa, que tem apenas o início. Quanto ao fim, para o desespero de seus leitores, é algo tão longínquo quanto inacabado, porque a sua poesia é feita de tecidos e sentimentos que se encerram na incompletude do Ser.

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