Rogério De Almeida – O Imaginário Trágico De Machado De Assis

Para o Machado que ressalta das páginas de O Imaginário Trágico De Machado De Assis, não há leis naturais, apenas formulações estabelecidas pela razão.

Rogério De Almeida – O Imaginário Trágico De Machado De Assis: Elementos Para Uma Pedagogia Da Escolha

Com O Imaginário Trágico De Machado De Assis, que merece ser lido e discutido, Rogério de Almeida se lança no texto e na crítica machadianas sem qualquer expectativa de encontrar uma rede de proteção no final do mergulho.

Ao encarar aquilo para que as melhores narrativas machadianas parecem apontar – o nada, sem mais nem menos –, surpreende, enfim, um Machado plenamente trágico.

Rogério de Almeida associa o trágico em Machado a Montaigne, Pascal, Maquiavel e Schopenhauer, fazendo emergir um escritor que constata os fatos e comportamentos sem emitir juízo, encarando o homem pelo que ele é, e não pelo que teria sido ou poderia ser. Sai de cena o escritor pessimista, cético, niilista; entra em cena o escritor trágico, que “não tem princípios, não se ancora em nenhuma moral, não pressupõe salvação, grandeza ou sentido para a existência”.

Para o Machado que ressalta das páginas de O Imaginário Trágico De Machado De Assis, não há leis naturais, apenas formulações estabelecidas pela razão. Por isso mesmo elas são precárias, instáveis, falíveis, na medida em que a razão não é capaz de apreender a realidade.

É dessa incapacidade fundamental, aliás, que surgiria, segundo Clément Rosset, a necessidade generalizada no pensamento ocidental de pressupor a insuficiência da realidade, e de inventar sistemas que expliquem suas origens ou a transcendam, seja por meio da ontologia, da metafísica ou da invenção de utopias.

Na contramão de tudo isso, o Machado de Rogério de Almeida constrói uma obra que produz uma relativização incessante dos fatos, indicando que não há nada tão fixo a sustentar a realidade, a não ser a imaginação dos interessados em atribuir significação à realidade, um modo de aplacar a angústia causada pela falta de sentido da vida.

Daí, na visão de Rogério, a exasperação que a obra vem produzindo há mais de século nos seus leitores, alguns mais interessados em projetar sobre ela seus próprios valores e pressupostos, do que em encarar o aspecto vertiginoso que a obra convida a experimentar.


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Rogério De Almeida – O Imaginário Trágico De Machado De Assis

Para o Machado que ressalta das páginas de O Imaginário Trágico De Machado De Assis, não há leis naturais, apenas formulações estabelecidas pela razão.

Rogério De Almeida - O Imaginário Trágico De Machado De Assis: Elementos Para Uma Pedagogia Da Escolha

Com O Imaginário Trágico De Machado De Assis, que merece ser lido e discutido, Rogério de Almeida se lança no texto e na crítica machadianas sem qualquer expectativa de encontrar uma rede de proteção no final do mergulho.

Ao encarar aquilo para que as melhores narrativas machadianas parecem apontar – o nada, sem mais nem menos –, surpreende, enfim, um Machado plenamente trágico.

Rogério de Almeida associa o trágico em Machado a Montaigne, Pascal, Maquiavel e Schopenhauer, fazendo emergir um escritor que constata os fatos e comportamentos sem emitir juízo, encarando o homem pelo que ele é, e não pelo que teria sido ou poderia ser. Sai de cena o escritor pessimista, cético, niilista; entra em cena o escritor trágico, que “não tem princípios, não se ancora em nenhuma moral, não pressupõe salvação, grandeza ou sentido para a existência”.

Para o Machado que ressalta das páginas de O Imaginário Trágico De Machado De Assis, não há leis naturais, apenas formulações estabelecidas pela razão. Por isso mesmo elas são precárias, instáveis, falíveis, na medida em que a razão não é capaz de apreender a realidade.

É dessa incapacidade fundamental, aliás, que surgiria, segundo Clément Rosset, a necessidade generalizada no pensamento ocidental de pressupor a insuficiência da realidade, e de inventar sistemas que expliquem suas origens ou a transcendam, seja por meio da ontologia, da metafísica ou da invenção de utopias.

Na contramão de tudo isso, o Machado de Rogério de Almeida constrói uma obra que produz uma relativização incessante dos fatos, indicando que não há nada tão fixo a sustentar a realidade, a não ser a imaginação dos interessados em atribuir significação à realidade, um modo de aplacar a angústia causada pela falta de sentido da vida.

Daí, na visão de Rogério, a exasperação que a obra vem produzindo há mais de século nos seus leitores, alguns mais interessados em projetar sobre ela seus próprios valores e pressupostos, do que em encarar o aspecto vertiginoso que a obra convida a experimentar.


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