Roger Scruton – Espinosa

Baruch de Espinosa (1632-1677) nasceu, viveu e morreu na Holanda, onde sua família, que era judia e procedente de Portugal, havia se refugiado da Inquisição. Educado na fé judaica, acabou sendo excomungado por causa das opiniões heréticas que adquiriu com o estudo da obra de Descartes (1596-1649), o fundador da filosofia moderna, que, apesar de ser francês, também passou a maior parte de sua vida criativa na Holanda. Graças a Descartes, aos cartesianos e à liberdade intelectual que prevaleceu na República Holandesa nos anos que se seguiram à bem-sucedida revolta contra a Espanha, a Holanda do século XVII foi, durante algumas preciosas décadas, um centro de vida intelectual e a primeira sede do Iluminismo.
A liberdade de pensamento se perde mais facilmente do que se ganha e, com a ascensão do calvinismo, o regime tolerante da República chegou ao fim. Em 1670, Espinosa publicou o Tratado teológico-político sem colocar o seu nome, mas a obra logo ficou conhecida como sua. Essa publicação defendia um governo secular, a soberania da lei e a liberdade de opinião, e era fartamente ilustrada com exemplos bíblicos que não escondiam a hostilidade do autor em relação ao governo dos sacerdotes e fariseus. O Tratado foi banido e seu autor, exilado de Amsterdã por um breve tempo.
Como reação a esse confronto com as autoridades, Espinosa passou a viver retirado, entre cristãos dissidentes. Continuou interessado em política, fazendo várias arriscadas incursões pela vida pública. Começou também a trabalhar em um segundo tratado político, que não chegou a concluir. Não publicou mais nada, porém sua obra-prima, Ética, a qual, antes de sua morte, circulou durante alguns anos entre ávidos estudantes, foi publicada postumamente, sendo prontamente banida.
Espinosa levou uma vida casta e estudiosa, tendo recusado a oferta de um professorado em Heidelberg e desenvolvido o seu pensamento em correspondências com outros escritores científicos e filosóficos. Seus interesses eram diversificados, abrangendo política, direito, estudos bíblicos e pintura, bem como matemática e ciências físicas.


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Roger Scruton – Espinosa

Baruch de Espinosa (1632-1677) nasceu, viveu e morreu na Holanda, onde sua família, que era judia e procedente de Portugal, havia se refugiado da Inquisição. Educado na fé judaica, acabou sendo excomungado por causa das opiniões heréticas que adquiriu com o estudo da obra de Descartes

(1596-1649), o fundador da filosofia moderna, que, apesar de ser francês, também passou a maior parte de sua vida criativa na Holanda. Graças a Descartes, aos cartesianos e à liberdade intelectual que prevaleceu na República Holandesa nos anos que se seguiram à bem-sucedida revolta contra a Espanha, a Holanda do século XVII foi, durante algumas preciosas décadas, um centro de vida intelectual e a primeira sede do Iluminismo.
A liberdade de pensamento se perde mais facilmente do que se ganha e, com a ascensão do calvinismo, o regime tolerante da República chegou ao fim. Em 1670, Espinosa publicou o Tratado teológico-político sem colocar o seu nome, mas a obra logo ficou conhecida como sua. Essa publicação defendia um governo secular, a soberania da lei e a liberdade de opinião, e era fartamente ilustrada com exemplos bíblicos que não escondiam a hostilidade do autor em relação ao governo dos sacerdotes e fariseus. O Tratado foi banido e seu autor, exilado de Amsterdã por um breve tempo.
Como reação a esse confronto com as autoridades, Espinosa passou a viver retirado, entre cristãos dissidentes. Continuou interessado em política, fazendo várias arriscadas incursões pela vida pública. Começou também a trabalhar em um segundo tratado político, que não chegou a concluir. Não publicou mais nada, porém sua obra-prima, Ética, a qual, antes de sua morte, circulou durante alguns anos entre ávidos estudantes, foi publicada postumamente, sendo prontamente banida.
Espinosa levou uma vida casta e estudiosa, tendo recusado a oferta de um professorado em Heidelberg e desenvolvido o seu pensamento em correspondências com outros escritores científicos e filosóficos. Seus interesses eram diversificados, abrangendo política, direito, estudos bíblicos e pintura, bem como matemática e ciências físicas.


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