Arché Tupi Ou Uma Leitura Arquetípica Da Mulher Índia Em Casa-Grande E Senzala

Arché Tupi Ou Uma Leitura Arquetípica Da Mulher Índia Em Casa-Grande E Senzala - O livro de Paulo Milhomens realiza uma interpretação sobre a obra Casa-Grande E Senzala, de Gilberto Freyre, mais especificamente em relação ao imaginário do autor sobre a mulher indígena, resultando na construção de uma imagem da mulher índia nos séculos XVI a XVIII na América Portuguesa. Imagem esta que repercute ainda no imaginário cultural contemporâneo, não só de uma elite intelectual que, muitas vezes, ainda se alimenta sem crítica de suas obras primas, mas também, e talvez principalmente, entre aqueles que do livro só tem notícias secundárias, mas que incorporam suas teses como verdades tidas como indiscutíveis sobre o povo brasileiro e a relação “harmoniosa” entre as raças/etnias que nos formaram.


Tendo em vista o contexto de produção de Casa-Grande E Senzala bem como o lugar social de seu autor, os estudiosos da obra sabem que, além de se constituir numa visão de Giberto Freyre sobre a sociedade brasileira, ela é uma resposta de classe ao quadro político dos anos 30 frente ao qual o autor se posicionou politicamente revalorizando o poder das oligarquias rurais em decadência, através principalmente da categoria mestiçagem, aliando as dimensões biológica e cultural para o entendimento do conceito de raça, balizado em Franz Boas.
Sem desmerecer seu brilhantismo, entre os diversos paradoxos de Casa-Grande E Senzala, destacamos dois que, no nosso entender, foram aproveitados por Milhomens para estabelecer seu diálogo interdisciplinar entre História, Sociologia e Psicologia Analítica: a suposta harmonia entre as raças/etnias de nossa formação social em face do racismo velado que até hoje está presente na sociedade brasileira; e o rompimento com o racismo científico do século XIX mas à custa de um elogio desmedido à colonização portuguesa do Brasil, motivo de muitas críticas que o livro recebeu basicamente até 1970 (Sérgio Burque de Hollanda, Florestan Fernandes, Dante Moreira Leite, entre outros).
O livro de Milhomens adensa a lista de paradoxos de Casa-Grande E Senzala na medida em que mostra como a mulher índia está eclipsada pela “energia solar” da idéia freyreana de mestiçagem, não somente a índia dos séculos referidos, mas abrindo um diálogo com a contemporaneidade e levantando a hipótese para futuros trabalhos de pesquisa de que até hoje ainda preservamos esta imagem em nosso inconsciente coletivo, para o que o livro de Freyre muito favoreceu.

 

 

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Arché Tupi Ou Uma Leitura Arquetípica Da Mulher Índia Em Casa-Grande E Senzala

Arché Tupi Ou Uma Leitura Arquetípica Da Mulher Índia Em Casa-Grande E Senzala – O livro de Paulo Milhomens realiza uma interpretação sobre a obra Casa-Grande E Senzala, de Gilberto Freyre, mais especificamente em relação ao imaginário do autor sobre a mulher indígena, resultando na construção de uma imagem da mulher índia nos séculos XVI a XVIII na América Portuguesa. Imagem esta que repercute ainda no imaginário cultural contemporâneo, não só de uma elite intelectual que, muitas vezes, ainda se alimenta sem crítica de suas obras primas, mas também, e talvez principalmente, entre aqueles que do livro só tem notícias secundárias, mas que incorporam suas teses como verdades tidas como indiscutíveis sobre o povo brasileiro e a relação “harmoniosa” entre as raças/etnias que nos formaram.
Tendo em vista o contexto de produção de Casa-Grande E Senzala bem como o lugar social de seu autor, os estudiosos da obra sabem que, além de se constituir numa visão de Giberto Freyre sobre a sociedade brasileira, ela é uma resposta de classe ao quadro político dos anos 30 frente ao qual o autor se posicionou politicamente revalorizando o poder das oligarquias rurais em decadência, através principalmente da categoria mestiçagem, aliando as dimensões biológica e cultural para o entendimento do conceito de raça, balizado em Franz Boas.
Sem desmerecer seu brilhantismo, entre os diversos paradoxos de Casa-Grande E Senzala, destacamos dois que, no nosso entender, foram aproveitados por Milhomens para estabelecer seu diálogo interdisciplinar entre História, Sociologia e Psicologia Analítica: a suposta harmonia entre as raças/etnias de nossa formação social em face do racismo velado que até hoje está presente na sociedade brasileira; e o rompimento com o racismo científico do século XIX mas à custa de um elogio desmedido à colonização portuguesa do Brasil, motivo de muitas críticas que o livro recebeu basicamente até 1970 (Sérgio Burque de Hollanda, Florestan Fernandes, Dante Moreira Leite, entre outros).
O livro de Milhomens adensa a lista de paradoxos de Casa-Grande E Senzala na medida em que mostra como a mulher índia está eclipsada pela “energia solar” da idéia freyreana de mestiçagem, não somente a índia dos séculos referidos, mas abrindo um diálogo com a contemporaneidade e levantando a hipótese para futuros trabalhos de pesquisa de que até hoje ainda preservamos esta imagem em nosso inconsciente coletivo, para o que o livro de Freyre muito favoreceu.

 

 

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