Prefigurar Lo Político

Prefigurar Lo Político: Disputas Contrahegemónicas En América Latina - Talvez o leitor que agora comece a se aventurar pelas páginas que se seguem tenha, no curso de sua leitura, impressão idêntica a que nos acometeu de que um mesmo grito ecoa pelos distintos cenários cobertos nos artigos aqui disponíveis: “Ya basta!”. O mítico grito zapatista poderia, muito bem, ter sido enunciado por qualquer um dos movimentos cuja ação – passada, presente ou futura – percorre essas páginas, enchendo-nos, por vezes, de otimismo, enquanto, ao mesmo tempo, nos incitam à necessária reflexão.


Citar o movimento zapatista não significa, de nenhuma maneira, insinuar que os cenários que o leitor terá diante de si nas próximas páginas tenham tido naquele movimento a inspiração única de seu agir.
Significa, antes sim, destacar as importantes semelhanças que permeiam os cenários visitados e que nos trazem a clara noção de que esse mundo múltiplo das distintas vivências cotidianas condenadas à invisibilidade e ao esquecimento, ergueu-se simultaneamente, trazendo à tona as inúmeras riquezas e possibilidades contidas nesses universos muitas vezes desconhecidos da grande maioria de nós.
É preciso que tenhamos em mente as características peculiares da formação do continente latino-americano para que possamos compreender a importância das investigações realizadas pelo Grupo de Trabalho “Anticapitalismos e Sociabilidades Emergentes”, formado no âmbito do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO), reunidas nesta sua segunda coletânea de artigos.
Aqui, às dificuldades advindas da organização capitalista das relações, somam-se aquelas oriundas/originadas pelo processo de formação colonial, cujas consequências, sejam elas definidas a partir da perspectiva da colonialidade ou do colonialismo interno (correlatas, ainda que não idênticas em sua análise) tendem a agravar aquilo que por si só já é suficientemente limitador das possibilidades de emancipação social.
A multiplicidade étnica dessas terras, com sua correlata multiplicidade de formas de organização socioespacial – que podemos definir como sendo nossa sociodiversidade – foi solapada pelo processo colonizador e pela posterior tentativa dos Estados de implantar, aqui, modelos político-econômicos emulados de experiências advindas de contextos sociais em muito distintos dos nossos. Assim, aquilo que poderia ter significado nosso efetivo potencial emancipatório frente a uma condenação sistêmica, foi sucessivamente condenado e subjugado sob o peso de políticas ora despóticas, ora paternalistas.

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Citar o movimento zapatista não significa, de nenhuma maneira, insinuar que os cenários que o leitor terá diante de si nas próximas páginas tenham tido naquele movimento a inspiração única de seu agir.
Significa, antes sim, destacar as importantes semelhanças que permeiam os cenários visitados e que nos trazem a clara noção de que esse mundo múltiplo das distintas vivências cotidianas condenadas à invisibilidade e ao esquecimento, ergueu-se simultaneamente, trazendo à tona as inúmeras riquezas e possibilidades contidas nesses universos muitas vezes desconhecidos da grande maioria de nós.
É preciso que tenhamos em mente as características peculiares da formação do continente latino-americano para que possamos compreender a importância das investigações realizadas pelo Grupo de Trabalho “Anticapitalismos e Sociabilidades Emergentes”, formado no âmbito do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO), reunidas nesta sua segunda coletânea de artigos.
Aqui, às dificuldades advindas da organização capitalista das relações, somam-se aquelas oriundas/originadas pelo processo de formação colonial, cujas consequências, sejam elas definidas a partir da perspectiva da colonialidade ou do colonialismo interno (correlatas, ainda que não idênticas em sua análise) tendem a agravar aquilo que por si só já é suficientemente limitador das possibilidades de emancipação social.
A multiplicidade étnica dessas terras, com sua correlata multiplicidade de formas de organização socioespacial – que podemos definir como sendo nossa sociodiversidade – foi solapada pelo processo colonizador e pela posterior tentativa dos Estados de implantar, aqui, modelos político-econômicos emulados de experiências advindas de contextos sociais em muito distintos dos nossos. Assim, aquilo que poderia ter significado nosso efetivo potencial emancipatório frente a uma condenação sistêmica, foi sucessivamente condenado e subjugado sob o peso de políticas ora despóticas, ora paternalistas.

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