Pascal Picq – A Diversidade Em Perigo

A Diversidade Em Perigo: De Darwin À Lévi-Straus, Picq imagina que os nossos dois cientistas partem para uma nova aventura, a redescoberta do Novo Mundo.

Pascal Picq – A Diversidade Em Perigo: De Darwin À Lévi-Straus

Com a descoberta da América e, alguns anos depois, com a descoberta da baía do Rio de Janeiro por Américo Vespúcio, o ano de 1492 marcou o fim da evolução natural do Homo sapiens que, partindo da África há mais de 50 mil anos, viu as populações da nossa espécie se espalharem por toda a Terra, eliminando, de passagem, as outras espécies – como a Neandertal – mais próximas dele em termos de semelhança e complexidade, e iniciando a sexta grande extinção da história da vida.

Assim, o ano de 1492 começou a pôr um fim em 50 mil anos de diversidade biológica e cultural.

Cinco séculos depois, a Cúpula da Terra ocorrida no Rio de Janeiro fez um balanço, mas sem mudar o curso das coisas. E vinte anos depois, em junho de 2012, foi realizada mais uma cúpula, denominada Rio+20. O que aconteceu na Terra depois que uma nova geração veio ao mundo?

A população mundial aumentou um terço, a biodiversidade natural e doméstica se degradou consideravelmente, o aquecimento climático é cada vez mais sentido e dezenas de línguas, culturas e etnias desapareceram para sempre.

No entanto, alguns homens já haviam percebido a que ponto o caminho seguido pela humanidade era funesto: especialmente Charles Darwin e Claude Lévi-Strauss.

Ambos passaram pelo Rio de Janeiro com um século de intervalo e, se o primeiro não precisou cavalgar muito para se maravilhar com a floresta tropical, o segundo foi obrigado a viajar durante semanas para encontrar os índios.

Ao reler Viagem De Um Naturalista Ao Redor Do Mundo, do primeiro, e Tristes Trópicos, do segundo, percebemos que o naturalista antropólogo e o antropólogo naturalista foram testemunhas visionárias da devastação natural e cultural em curso.

Se, hoje em dia, eles partissem para uma viagem como a que realizaram e que preludiou o desenvolvimento de suas obras, teriam muita dificuldade em fazer as observações que lhes permitiram abalar as nossas concepções de vida e de cultura.

Por que, então, não os compreendemos e, sobretudo, por que continuamos a não compreendê-los? Por que as mutilações que os homens infligem à Terra e à própria humanidade não despertam uma tomada de consciência maior e ações mais eficazes?


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Pascal Picq – A Diversidade Em Perigo

A Diversidade Em Perigo: De Darwin À Lévi-Straus, Picq imagina que os nossos dois cientistas partem para uma nova aventura, a redescoberta do Novo Mundo.

Pascal Picq - A Diversidade Em Perigo: De Darwin À Lévi-Straus

Com a descoberta da América e, alguns anos depois, com a descoberta da baía do Rio de Janeiro por Américo Vespúcio, o ano de 1492 marcou o fim da evolução natural do Homo sapiens que, partindo da África há mais de 50 mil anos, viu as populações da nossa espécie se espalharem por toda a Terra, eliminando, de passagem, as outras espécies – como a Neandertal – mais próximas dele em termos de semelhança e complexidade, e iniciando a sexta grande extinção da história da vida.

Assim, o ano de 1492 começou a pôr um fim em 50 mil anos de diversidade biológica e cultural.

Cinco séculos depois, a Cúpula da Terra ocorrida no Rio de Janeiro fez um balanço, mas sem mudar o curso das coisas. E vinte anos depois, em junho de 2012, foi realizada mais uma cúpula, denominada Rio+20. O que aconteceu na Terra depois que uma nova geração veio ao mundo?

A população mundial aumentou um terço, a biodiversidade natural e doméstica se degradou consideravelmente, o aquecimento climático é cada vez mais sentido e dezenas de línguas, culturas e etnias desapareceram para sempre.

No entanto, alguns homens já haviam percebido a que ponto o caminho seguido pela humanidade era funesto: especialmente Charles Darwin e Claude Lévi-Strauss.

Ambos passaram pelo Rio de Janeiro com um século de intervalo e, se o primeiro não precisou cavalgar muito para se maravilhar com a floresta tropical, o segundo foi obrigado a viajar durante semanas para encontrar os índios.

Ao reler Viagem De Um Naturalista Ao Redor Do Mundo, do primeiro, e Tristes Trópicos, do segundo, percebemos que o naturalista antropólogo e o antropólogo naturalista foram testemunhas visionárias da devastação natural e cultural em curso.

Se, hoje em dia, eles partissem para uma viagem como a que realizaram e que preludiou o desenvolvimento de suas obras, teriam muita dificuldade em fazer as observações que lhes permitiram abalar as nossas concepções de vida e de cultura.

Por que, então, não os compreendemos e, sobretudo, por que continuamos a não compreendê-los? Por que as mutilações que os homens infligem à Terra e à própria humanidade não despertam uma tomada de consciência maior e ações mais eficazes?


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