Marshall Sahlins – História E Cultura: Apologias A Tucídides

História e cultura é um livro sobre o valor de conceitos antropológicos de cultura para o estudo da história e vice-versa, pois também mostrará a importância de certos valores da história para o estudo da cultura. Cada um de seus três longos capítulos consiste em discussões etnográficas de determinados problemas sobre a compreensão da história apresentados pelo grande texto de Tucídides a respeito da Guerra do Peloponeso. Neste sentido, o livro presta homenagem a Tucídides, reconhecendo-o como o ancestral de uma historiografia que ainda persiste entre nós. As “apologias” do subtítulo derivam da crítica representada pela antropologia moderna aos veneráveis ensinamentos de Tucídides – aos quais seremos para sempre devedores.
Marshall Sahlins, um dos mais brilhantes antropólogos contemporâneos, retoma nesse novo livro o debate sobre a relação entre cultura e história, e nos revela uma obra extraordinária em vários sentidos. Em primeiro lugar, porque estabelece um diálogo com o grego Tucídides – o primeiro historiador a romper com o relato mitológico e a introduzir a política e a economia no pensar histórico.
Em segundo lugar, compara duas guerras distantes no tempo e no espaço – a Guerra do Peloponeso e a Guerra da Polinésia -para analisar como a cultura determina certos padrões de ação, que adquirem força histórica e podem acabar por decidir o rumo dos acontecimentos. Finalmente, por esclarecer como os indivíduos se revestem de valores simbólicos a ponto de se tornarem determinantes da ação histórica, como o fascinante episódio da história do beisebol norte-americano em 1951, e o fenômeno Elián Gonzales – único sobrevivente de um naufrágio de refugiados cubanos e que se tornou objeto de disputas internacionais.
Aqui, seu grande interlocutor é o historiador grego Tucídides, autor da célebre História da Guerra do Peloponeso. O fabuloso estudo comparativo de Sahlins entre aquela guerra clássica e as guerras polinésias é uma demonstração magistral da compreensão e do uso recíprocos dos conceitos de cultura e de história. Assim, ele dá continuidade aos trabalhos anteriores, retomando temas como estrutura e evento. A utilização que faz da noção de cultura, associada à pesquisa histórica, exorciza e combate qualquer tipo de determinismo cultural, ao mesmo tempo que relativiza o universalismo de Tucídides e seus herdeiros, rediscutindo de modo sofisticado a problemática das particularidades culturais.


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Marshall Sahlins – História E Cultura: Apologias A Tucídides

História e cultura é um livro sobre o valor de conceitos antropológicos de cultura para o estudo da história e vice-versa, pois também mostrará a importância de certos valores da história para o estudo da cultura.

Cada um de seus três longos capítulos consiste em discussões etnográficas de determinados problemas sobre a compreensão da história apresentados pelo grande texto de Tucídides a respeito da Guerra do Peloponeso. Neste sentido, o livro presta homenagem a Tucídides, reconhecendo-o como o ancestral de uma historiografia que ainda persiste entre nós. As “apologias” do subtítulo derivam da crítica representada pela antropologia moderna aos veneráveis ensinamentos de Tucídides – aos quais seremos para sempre devedores.
Marshall Sahlins, um dos mais brilhantes antropólogos contemporâneos, retoma nesse novo livro o debate sobre a relação entre cultura e história, e nos revela uma obra extraordinária em vários sentidos. Em primeiro lugar, porque estabelece um diálogo com o grego Tucídides - o primeiro historiador a romper com o relato mitológico e a introduzir a política e a economia no pensar histórico.
Em segundo lugar, compara duas guerras distantes no tempo e no espaço - a Guerra do Peloponeso e a Guerra da Polinésia -para analisar como a cultura determina certos padrões de ação, que adquirem força histórica e podem acabar por decidir o rumo dos acontecimentos. Finalmente, por esclarecer como os indivíduos se revestem de valores simbólicos a ponto de se tornarem determinantes da ação histórica, como o fascinante episódio da história do beisebol norte-americano em 1951, e o fenômeno Elián Gonzales - único sobrevivente de um naufrágio de refugiados cubanos e que se tornou objeto de disputas internacionais.
Aqui, seu grande interlocutor é o historiador grego Tucídides, autor da célebre História da Guerra do Peloponeso. O fabuloso estudo comparativo de Sahlins entre aquela guerra clássica e as guerras polinésias é uma demonstração magistral da compreensão e do uso recíprocos dos conceitos de cultura e de história. Assim, ele dá continuidade aos trabalhos anteriores, retomando temas como estrutura e evento. A utilização que faz da noção de cultura, associada à pesquisa histórica, exorciza e combate qualquer tipo de determinismo cultural, ao mesmo tempo que relativiza o universalismo de Tucídides e seus herdeiros, rediscutindo de modo sofisticado a problemática das particularidades culturais.


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