
O objetivo deste trabalho é analisar os significados dos contos de fada, desde sua mais remota origem até nossos dias, ressaltando nessa análise as funções femininas na estrutura e na trama narrativa das histórias.
Para isso, os Contos da Mamãe Gansa foram escolhidos como corpus privilegiado, tanto por ser a primeira versão literária do folclore europeu dirigida às crianças como pelas características das circunstâncias históricas, sociais e literárias, que permitiram a sua concretização há três séculos.
Falta justificar o título Em Busca Dos Contos Perdidos. Para tanto, devo dizer que o meu fascínio pelos contos de fada começou na infância, quando ouvi as primeiras histórias, e se consolidou mais tarde quando, mãe e professora, passei a ser a narradora dessas histórias. Ficou indelevelmente gravada em minha memória a primeira vez que ouvi Chapeuzinho Vermelho, na versão de Perrault, que acaba quando o lobo engole a menina. Mas a maioria das outras histórias, com as quais convivi nessa caminhada de ouvinte, leitora e narradora, estava muito distante das versões francesas originais.
Embora tenha estudado a língua e a literatura francesas, jamais me encontrei com os textos de Perrault. Foi só quando me decidi a trabalhar com esse material que resolvi ir em busca dos textos do século XVII. Só então li Perrault no original. E entendi por que esse pequeno livro é considerado o iniciador da literatura infantil.
Resta-me, finalmente, esperar que o modo como conduzi meus estudos e a maneira como elaborei o meu texto tenham contribuído, favoravelmente, para atingir meu objetivo primeiro: desenvolver uma pesquisa que fosse do interesse da ciência e do agrado dos meus colegas de magistério. Foi sempre pensando nisso que tentei apurar a forma e o conteúdo deste trabalho. Sobre a forma do meu texto, devo confessar que o meu objetivo era escrever num estilo simples, de maneira a ser entendida pelo maior número possível de leitores.
Onde cabia uma palavra de uso comum, era essa e não outra que eu procurava colocar. Nesse particular, deixei-me levar pela sugestão de Soriano em uma de suas cartas: “é inevitável que uma tese seja um trabalho maçante?”. A minha intenção era criar um texto prazeroso, para que pudesse transparecer o prazer que me proporcionou esta pesquisa.
Um outro mestre francês, Philippe Ariés, diz que o maior mérito do pesquisador “talvez seja menos defender uma tese do que comunicar aos leitores a alegria de sua descoberta, torná-los sensíveis – como ele próprio o foi – às cores e aos odores das coisas desconhecidas”.
