Márcia Gonçalves – Filosofia Da Natureza

A expressão philosophia naturalis foi cunhada no primeiro século da era cristã pelo filósofo romano Sêneca, em sua obra intitulada Naturales quaestiones, datada de 62. Entretanto, a origem da especulação filosófica acerca da natureza pode ser localizada mais de cinco séculos antes disso. A filosofia da natureza é tão antiga quanto a filosofia propriamente dita, pelo simples fato de que esta última tem como ponto de origem a busca de um princípio fundamental capaz de explicar a existência de todas as coisas. Essa concomitância de origem entre a filosofia da natureza e a filosofia em geral nos permite compreender que o fundamento da primeira é muito menos a física, entendida por uma rede de conceitos científicos empiricamente comprovados, e muito mais a idéia grega de physis enquanto totalidade substancial do mundo material. Essa concepção originária de natureza abre-se de imediato para uma dimensão freqüentemente interpretada como metafísica, ou seja, que transcende a possibilidade de experimentação. Na verdade, a questão da possibilidade da experiência será um dos temas centrais da filosofia da natureza, do qual trataremos a seu tempo. Inicialmente, contudo, é importante considerar que a proposta de uma abordagem universal da filosofia da natureza não deve nos afastar do relevante aspecto de sua historicidade. O próprio conceito filosófico de “natureza”, inaugurado a partir da tradução latina de Sêneca sobre o conceito grego de physis, bem como os diversos outros conceitos envolvidos nas considerações filosóficas acerca da natureza, tem sofrido ao longo dos séculos notáveis transformações de significado, e uma das principais razões para isso é sem dúvida o desenvolvimento das chamadas ciências da natureza.

 


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Márcia Gonçalves – Filosofia Da Natureza

A expressão philosophia naturalis foi cunhada no primeiro século da era cristã pelo filósofo romano Sêneca, em sua obra intitulada Naturales quaestiones, datada de 62. Entretanto, a origem da especulação filosófica acerca da natureza pode ser localizada mais de cinco séculos antes disso. A filosofia da natureza é tão antiga quanto a filosofia propriamente dita, pelo simples fato de que esta última tem como ponto de origem a busca de um princípio fundamental capaz de explicar a existência de todas as coisas. Essa concomitância de origem entre a filosofia da natureza e a filosofia em geral nos permite compreender que o fundamento da primeira é muito menos a física, entendida por uma rede de conceitos científicos empiricamente comprovados, e muito mais a idéia grega de physis enquanto totalidade substancial do mundo material. Essa concepção originária de natureza abre-se de imediato para uma dimensão freqüentemente interpretada como metafísica, ou seja, que transcende a possibilidade de experimentação. Na verdade, a questão da possibilidade da experiência será um dos temas centrais da filosofia da natureza, do qual trataremos a seu tempo. Inicialmente, contudo, é importante considerar que a proposta de uma abordagem universal da filosofia da natureza não deve nos afastar do relevante aspecto de sua historicidade. O próprio conceito filosófico de “natureza”, inaugurado a partir da tradução latina de Sêneca sobre o conceito grego de physis, bem como os diversos outros conceitos envolvidos nas considerações filosóficas acerca da natureza, tem sofrido ao longo dos séculos notáveis transformações de significado, e uma das principais razões para isso é sem dúvida o desenvolvimento das chamadas ciências da natureza.

 


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