Luciano Figueiredo – Rebeliões No Brasil Colônia

Inúmeras rebeliões e movimentos armados coletivos sacudiram a América portuguesa nos séculos XVII e XVIII. Esse livro propõe uma revisão das leituras tradicionais sobre o tema, mostrando como as lutas por direitos políticos, sociais e econômicos fizeram emergir uma nova identidade colonial.
Logo que missionários e cronistas pisaram com suas sandálias as margens do Novo Mundo, o fervor religioso típico da época combinou-se com a beleza estonteante da natureza tropical. Sem perderem tempo, reconheceram em seus relatos que as qualidades daquela terra estavam próximas das do Paraíso: terreno fértil, chuvas regulares, flores exuberantes, animais graciosos, boas águas e nativos dóceis ao trabalho evangelizador.
“Em nenhuma outra região se mostra o céu mais sereno, nem madruga mais bela a aurora; o sol em nenhum outro hemisfério tem os raios tão dourados, nem os reflexos noturnos tão brilhantes; as estrelas são as mais benignas, e se mostram sempre alegres; as águas, são as mais puras: é enfim o Brasil terreal paraíso descoberto; domina salutífero clima; influem benignos astros, e respiram auras suavíssimas”, escreveria Sebastião da Rocha Pitta em 1724.
Esse idílio e harmonia se dissipariam diante das primeiras perturbações e desordens, cada vez mais intensas à medida que Portugal instituía novos poderes e a colonização avançava sobre terras incógnitas, com a intensificação da busca de almas para a conversão à fé cristã e braços para o suor das lavouras. Índios trucidavam impiedosamente missionários e destruíam arraiais inteiros, capitães-donatários recusavam ostensivamente as ordens de novos funcionários régios, escravos fugiam para as florestas, comerciantes da terra rebelavam-se contra o monopólio dos negociantes do reino, soldados ameaçavam explodir as casas de moradores das vilas. O paraíso ganhava o nome de rebelião.
O que move este livro é a proposta de uma revisão das leituras tradicionais sobre o tema e apresentação de novas perspectivas de interpretação. Ele contempla uma forma especial de desassossego social: as rebeliões e movimentos armados coletivos que sacudiram a América portuguesa e aterrorizaram as autoridades coloniais e metropolitanas.


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Luciano Figueiredo – Rebeliões No Brasil Colônia

Inúmeras rebeliões e movimentos armados coletivos sacudiram a América portuguesa nos séculos XVII e XVIII. Esse livro propõe uma revisão das leituras tradicionais sobre o tema, mostrando como as lutas por direitos políticos, sociais e econômicos fizeram emergir uma nova identidade colonial.
Logo que missionários e cronistas pisaram com suas sandálias as margens do Novo Mundo, o fervor religioso típico da época combinou-se com a beleza estonteante da natureza tropical. Sem perderem tempo, reconheceram em seus relatos que as qualidades daquela terra estavam próximas das do Paraíso: terreno fértil, chuvas regulares, flores exuberantes, animais graciosos, boas águas e nativos dóceis ao trabalho evangelizador.
“Em nenhuma outra região se mostra o céu mais sereno, nem madruga mais bela a aurora; o sol em nenhum outro hemisfério tem os raios tão dourados, nem os reflexos noturnos tão brilhantes; as estrelas são as mais benignas, e se mostram sempre alegres; as águas, são as mais puras: é enfim o Brasil terreal paraíso descoberto; domina salutífero clima; influem benignos astros, e respiram auras suavíssimas”, escreveria Sebastião da Rocha Pitta em 1724.
Esse idílio e harmonia se dissipariam diante das primeiras perturbações e desordens, cada vez mais intensas à medida que Portugal instituía novos poderes e a colonização avançava sobre terras incógnitas, com a intensificação da busca de almas para a conversão à fé cristã e braços para o suor das lavouras. Índios trucidavam impiedosamente missionários e destruíam arraiais inteiros, capitães-donatários recusavam ostensivamente as ordens de novos funcionários régios, escravos fugiam para as florestas, comerciantes da terra rebelavam-se contra o monopólio dos negociantes do reino, soldados ameaçavam explodir as casas de moradores das vilas. O paraíso ganhava o nome de rebelião.
O que move este livro é a proposta de uma revisão das leituras tradicionais sobre o tema e apresentação de novas perspectivas de interpretação. Ele contempla uma forma especial de desassossego social: as rebeliões e movimentos armados coletivos que sacudiram a América portuguesa e aterrorizaram as autoridades coloniais e metropolitanas.


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