A Depressão Como “Mal-Estar” Contemporâneo

No cenário do mundo contemporâneo, o predomínio de determinadas psicopatologias (assim designadas) é fruto direto das novas configurações simbólicas forjadas pelos discursos sociais vigentes, discursos estes que atravessam os sujeitos, produzindo, assim, determinadas formas de subjetivação características de nosso tempo.


Do início do capitalismo até os dias de hoje, nunca se viu uma época tão agudamente alienante para o sujeito como a que acontece agora na nossa dita pós-modernidade. A exacerbada valorização da imagem e a submissão frente às imposições da mídia, tendo como consequência direta a produção de pseudovalores e pseudonecessidades na contemporaneidade, caracterizam o que Debórd, por sua
vez, denominou como "a sociedade do espetáculo".
As relações interpessoais contemporâneas adquiriram novas configurações decorrentes do modelo de sociedade atual.
Relações estas que são mediadas por imagens, modas, tendências impostas pelos veículos de comunicação, globalização de costumes, necessidades, e modos de ser dos indivíduos enquanto atores da cena social. Essa “sociedade espetacular” acaba por ser, em sua essência, uma sociedade da aparência. Se por um lado, em um primeiro momento, o capitalismo impulsionou o sujeito para uma dialética do ter em detrimento do ser; hoje, por outro lado, temos o deslizamento do ter para o parecer. Em um mundo onde a aparência é fundamental, o (a)parecer na cena social se torna questão de existência.
Desta forma, a sociedade contemporânea, com todo seu arsenal tecnológico e, em especial, com as novas e variadas possibilidades de comunicação, promove por fim uma autêntica produção circular do isolamento e da alienação: da televisão aos computadores, o sistema espetacular cria, incessantemente, as condições de isolamento, a formação das “multidões solitárias”. Tomada por esse sentido, a dinâmica do cenário social contemporâneo, com toda sua infinita gama de imposições e a consequente subversão das reais necessidades dos indivíduos, acaba por se forjar uma verdadeira “falsificação da vida social”. O espetáculo é o empobrecimento, a sujeição e a negação da vida real: a genuína expressão da separação e do afastamento entre o homem e o homem.
A partir do momento em que vivemos em um contexto que nos exige determinadas formas de (a)parecer na cena social, é inevitável que diante da impossibilidade de participação nesse “teatro espetacular” o indivíduo adoeça – é o “mal-estar”, fruto da incompatibilidade entre a demanda social e as reais necessidades individuais.

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No cenário do mundo contemporâneo, o predomínio de determinadas psicopatologias (assim designadas) é fruto direto das novas configurações simbólicas forjadas pelos discursos sociais vigentes, discursos estes que atravessam os sujeitos, produzindo, assim, determinadas formas de subjetivação características de nosso tempo.
Do início do capitalismo até os dias de hoje, nunca se viu uma época tão agudamente alienante para o sujeito como a que acontece agora na nossa dita pós-modernidade. A exacerbada valorização da imagem e a submissão frente às imposições da mídia, tendo como consequência direta a produção de pseudovalores e pseudonecessidades na contemporaneidade, caracterizam o que Debórd, por sua
vez, denominou como “a sociedade do espetáculo”.
As relações interpessoais contemporâneas adquiriram novas configurações decorrentes do modelo de sociedade atual.
Relações estas que são mediadas por imagens, modas, tendências impostas pelos veículos de comunicação, globalização de costumes, necessidades, e modos de ser dos indivíduos enquanto atores da cena social. Essa “sociedade espetacular” acaba por ser, em sua essência, uma sociedade da aparência. Se por um lado, em um primeiro momento, o capitalismo impulsionou o sujeito para uma dialética do ter em detrimento do ser; hoje, por outro lado, temos o deslizamento do ter para o parecer. Em um mundo onde a aparência é fundamental, o (a)parecer na cena social se torna questão de existência.
Desta forma, a sociedade contemporânea, com todo seu arsenal tecnológico e, em especial, com as novas e variadas possibilidades de comunicação, promove por fim uma autêntica produção circular do isolamento e da alienação: da televisão aos computadores, o sistema espetacular cria, incessantemente, as condições de isolamento, a formação das “multidões solitárias”. Tomada por esse sentido, a dinâmica do cenário social contemporâneo, com toda sua infinita gama de imposições e a consequente subversão das reais necessidades dos indivíduos, acaba por se forjar uma verdadeira “falsificação da vida social”. O espetáculo é o empobrecimento, a sujeição e a negação da vida real: a genuína expressão da separação e do afastamento entre o homem e o homem.
A partir do momento em que vivemos em um contexto que nos exige determinadas formas de (a)parecer na cena social, é inevitável que diante da impossibilidade de participação nesse “teatro espetacular” o indivíduo adoeça – é o “mal-estar”, fruto da incompatibilidade entre a demanda social e as reais necessidades individuais.

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