Jorge Cunha Dutra & Roberto Goto (Orgs.) – O Filosofar, Hoje

A presente obra, O Filosofar, Hoje: Na Pesquisa E No Ensino De Filosofia, se acha dividida, em duas partes principais.

Jorge Cunha Dutra & Roberto Goto (Orgs.) – O Filosofar, Hoje: Na Pesquisa E No Ensino De Filosofia

A presente obra, O Filosofar, Hoje: Na Pesquisa E No Ensino De Filosofia, se acha dividida, conforme ressaltam seus organizadores – professores Jorge da Cunha Dutra e Roberto Goto – em duas partes principais.

A primeira, de caráter mais teórico, abriga temas que reenviam a uma questão fundamental: “O que se faz hoje a título de ‘pesquisa em Filosofia’ é de fato um filosofar, ou se trata de uma nova sofística”? A segunda parte, de ordem mais prática, se reporta a uma não menos premente e imperiosa questão: “Em que consiste concretamente o filosofar perseguido e visado no ensino da disciplina de Filosofia – a discussão e a busca da verdade ou a produção de discursos”?

Assim, embora tenham sido escritos por diferentes professores e pesquisadores – a partir de seus respectivos horizontes e de suas próprias perspectivas – os oito capítulos que compõem esta obra convergem para aquelas duas questões básicas que levantam os organizadores na Apresentação. Ambas as questões se pressupõem, ou se implicam, na medida em que reivindicam o verdadeiro filosofar. Mas o que é o verdadeiro filosofar?

A resposta não poderia ser mais direta e mais simples: o verdadeiro filosofar é a busca sistemática e rigorosa da verdade do Ser ou, para expressá-lo de maneira mais breve ainda, é o desvelar da verdade do Ser. Isto, porém, não equivale a dizer que o Ser possui a verdade, ou a sua verdade, mas que o Ser é a verdade, ou se dá como verdade.

Aqui, no entanto, a indagação – na significação elementar de método (μετα, οδος: caminho tortuoso, sinuoso; meio pelo qual se procede, se avança, se busca e se descobre) – começa, literalmente, a complicar-se.

Todavia, deve-se relevar que só há um caminho, só há um método, só há um meio pelo qual o Ser se manifesta: é o pensamento e, essencialmente ligada a ele, a linguagem. Convém, no entanto, notar que não se trata de primeiramente pensar o Ser, falar o Ser, para somente depois dele obter o acesso a que se aspira.

Não se trata tampouco de elevar o pensamento à categoria de uma ação para aplicá-la ao Ser e dele fazer desencadear-se os atributos e predicados que antecipadamente se julgam pertencentes à sua natureza. Não!

Para o Heidegger da Carta sobre o humanismo, por exemplo, o pensamento age na medida , e somente na medida, em que ele pensa. E, poderíamos ajuntar: o Ser enquanto verdade só se dá na proporção mesma em que ele é pensado, falado, nomeado e metodicamente explorado.

Com efeito, logo no início da Carta sobre o humanismo, o filósofo assevera de maneira enfática, incisiva: “A linguagem é a casa do Ser”. Consequentemente, supondo-se que o Ser habita a linguagem, e que o Ser e a verdade se equivalem – ou que ambos não podem ser pensados e falados senão nas suas intrínsecas e mutuamente permutáveis relações – é inevitável que se avance a interrogação: o que é a verdade?

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A presente obra, O Filosofar, Hoje: Na Pesquisa E No Ensino De Filosofia, se acha dividida, em duas partes principais.

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A presente obra, O Filosofar, Hoje: Na Pesquisa E No Ensino De Filosofia, se acha dividida, conforme ressaltam seus organizadores – professores Jorge da Cunha Dutra e Roberto Goto – em duas partes principais.

A primeira, de caráter mais teórico, abriga temas que reenviam a uma questão fundamental: “O que se faz hoje a título de ‘pesquisa em Filosofia’ é de fato um filosofar, ou se trata de uma nova sofística”? A segunda parte, de ordem mais prática, se reporta a uma não menos premente e imperiosa questão: “Em que consiste concretamente o filosofar perseguido e visado no ensino da disciplina de Filosofia – a discussão e a busca da verdade ou a produção de discursos”?

Assim, embora tenham sido escritos por diferentes professores e pesquisadores – a partir de seus respectivos horizontes e de suas próprias perspectivas – os oito capítulos que compõem esta obra convergem para aquelas duas questões básicas que levantam os organizadores na Apresentação. Ambas as questões se pressupõem, ou se implicam, na medida em que reivindicam o verdadeiro filosofar. Mas o que é o verdadeiro filosofar?

A resposta não poderia ser mais direta e mais simples: o verdadeiro filosofar é a busca sistemática e rigorosa da verdade do Ser ou, para expressá-lo de maneira mais breve ainda, é o desvelar da verdade do Ser. Isto, porém, não equivale a dizer que o Ser possui a verdade, ou a sua verdade, mas que o Ser é a verdade, ou se dá como verdade.

Aqui, no entanto, a indagação – na significação elementar de método (μετα, οδος: caminho tortuoso, sinuoso; meio pelo qual se procede, se avança, se busca e se descobre) – começa, literalmente, a complicar-se.

Todavia, deve-se relevar que só há um caminho, só há um método, só há um meio pelo qual o Ser se manifesta: é o pensamento e, essencialmente ligada a ele, a linguagem. Convém, no entanto, notar que não se trata de primeiramente pensar o Ser, falar o Ser, para somente depois dele obter o acesso a que se aspira.

Não se trata tampouco de elevar o pensamento à categoria de uma ação para aplicá-la ao Ser e dele fazer desencadear-se os atributos e predicados que antecipadamente se julgam pertencentes à sua natureza. Não!

Para o Heidegger da Carta sobre o humanismo, por exemplo, o pensamento age na medida , e somente na medida, em que ele pensa. E, poderíamos ajuntar: o Ser enquanto verdade só se dá na proporção mesma em que ele é pensado, falado, nomeado e metodicamente explorado.

Com efeito, logo no início da Carta sobre o humanismo, o filósofo assevera de maneira enfática, incisiva: “A linguagem é a casa do Ser”. Consequentemente, supondo-se que o Ser habita a linguagem, e que o Ser e a verdade se equivalem – ou que ambos não podem ser pensados e falados senão nas suas intrínsecas e mutuamente permutáveis relações – é inevitável que se avance a interrogação: o que é a verdade?

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