Jorge Alberto Rocha – Michel Foucault

O livro busca construir, por dentro da obra de Foucault, um novo Foucault que revela o necessário futuro de seu pensamento.

Jorge Alberto Rocha – Michel Foucault: Crítico – Esteta – Cínico Mitigado

A obra de Foucault, ele mesmo o pressente, contém um pensamento que já não caberia mais, apenas, no presente do tempo, que dependeria, fundamentalmente, do futuro de suas interpretações.

A ontologia do presente é, de fato, a instrumentação crítica, a preparação prática de um presente que virá (a começar pelo da própria obra).

Mas por onde começá-las, tais interpretações futurosas?

Um caminho possível, passados já cerca de 30 anos de seu desaparecimento, é não se ater apenas às linhas de compreensão de seu pensamento produzidas ainda em vida.

Em particular, sua filosofia deve talvez ser revista – sem que, necessariamente, essa organização seja desconsiderada – para além da tríade estruturante ‘saber-poder-sujeito’, usada recorrentemente para definir, nas suas grandes linhas, a evolução de sua produção (como o próprio Foucault, aliás, vem a corroborar em alguns momentos).

Essa configuração, não resta dúvida, é limitadora sob diversos aspectos. É verdade que cada um desses temas aponta para um bloco conceitual em sua obra. Mas ela talvez se funde na operação superficial de uma “classificação pelo objeto”.

Foucault ora pensa isso, ora aquilo; aqui pensa assim, mais adiante dedica-se a novos temas. Sob vários aspectos, o melhor que tal classificação pode fazer é dar-nos um panorama histórico da obra, apagando, por outro lado, sua intensidade e, em particular, talvez pouco possa fazê-la avançar na direção desse futuro esperado.

Na verdade, é forçoso reconhecer que mesmo entre esses três grandes eixos, uma partida se joga, perfaz-se uma economia – um acaba por implicar os demais, revela-os, torna-os visíveis. É óbvio, também por isso mesmo, que alguma outra interpretação, alguma unidade eventual (e diferencial) da obra há de brotar já dessa economia entre eles.

Este livro parte de uma nova ideia, de uma ideia ainda mal explorada, tateando as possibilidades de um Foucault por vir, construindo, por dentro da obra de Foucault, um novo Foucault que revela o necessário futuro de seu pensamento.


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Jorge Alberto Rocha – Michel Foucault

O livro busca construir, por dentro da obra de Foucault, um novo Foucault que revela o necessário futuro de seu pensamento.

Jorge Alberto Rocha - Michel Foucault: Crítico - Esteta - Cínico Mitigado

A obra de Foucault, ele mesmo o pressente, contém um pensamento que já não caberia mais, apenas, no presente do tempo, que dependeria, fundamentalmente, do futuro de suas interpretações.

A ontologia do presente é, de fato, a instrumentação crítica, a preparação prática de um presente que virá (a começar pelo da própria obra).

Mas por onde começá-las, tais interpretações futurosas?

Um caminho possível, passados já cerca de 30 anos de seu desaparecimento, é não se ater apenas às linhas de compreensão de seu pensamento produzidas ainda em vida.

Em particular, sua filosofia deve talvez ser revista – sem que, necessariamente, essa organização seja desconsiderada – para além da tríade estruturante ‘saber-poder-sujeito’, usada recorrentemente para definir, nas suas grandes linhas, a evolução de sua produção (como o próprio Foucault, aliás, vem a corroborar em alguns momentos).

Essa configuração, não resta dúvida, é limitadora sob diversos aspectos. É verdade que cada um desses temas aponta para um bloco conceitual em sua obra. Mas ela talvez se funde na operação superficial de uma “classificação pelo objeto”.

Foucault ora pensa isso, ora aquilo; aqui pensa assim, mais adiante dedica-se a novos temas. Sob vários aspectos, o melhor que tal classificação pode fazer é dar-nos um panorama histórico da obra, apagando, por outro lado, sua intensidade e, em particular, talvez pouco possa fazê-la avançar na direção desse futuro esperado.

Na verdade, é forçoso reconhecer que mesmo entre esses três grandes eixos, uma partida se joga, perfaz-se uma economia – um acaba por implicar os demais, revela-os, torna-os visíveis. É óbvio, também por isso mesmo, que alguma outra interpretação, alguma unidade eventual (e diferencial) da obra há de brotar já dessa economia entre eles.

Este livro parte de uma nova ideia, de uma ideia ainda mal explorada, tateando as possibilidades de um Foucault por vir, construindo, por dentro da obra de Foucault, um novo Foucault que revela o necessário futuro de seu pensamento.


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