Joacy Ghizzi Neto – Cartas De Paulo Leminski

Estamos, com este livro, diante de Paulo Leminski e sua modulação convicta e selvagem entre um pensamento da literatura e um pensamento com a literatura.

Joacy Ghizzi Neto – Cartas De Paulo Leminski: Sinais De Vida

Estamos, com este livro de Neto Ghizzi, diante de Paulo Leminski e sua modulação convicta e selvagem entre um pensamento da literatura e um pensamento com a literatura: força de imaginação e desvio do corpo ao menos um palmo a qualquer lado. Leminski ‘inscreveu’ no pequeno ensaio Sem eu, sem tu, nem ele que “Não existe isso que se chama ‘escrever bem’, existe é pensar bem. Escrever é pensar. Quem pensa mal, escreve mal.

Não há habilidade retórica que consiga disfarçar um pensamento fraco ou medíocre.” E o lance aqui, como um jogo de antecipações, é a tentativa e o bom esforço crítico de Neto Ghizzi em tocar essa interioridade radical, como pensamento, que se move no projétil de algumas cartas de Leminski para Régis Bonvicino entre as edições díspares dos livros Uma carta uma brasa através e Envie o meu dicionário.

O jogo de Leminski pode se armar, por exemplo, como um começo imprevisto, numa imagem que vem a partir das duas primeiras linhas de um poema de Carlos Augusto Lima, Manual de acrobacia n. 1, publicado 72 vezes no mesmo livro entre repetição e diferimento: “eu sou o acrobata do banco de trás / e só você me vê”. Colocar-se aí, num guión acidental, o do banco de trás, é deixar-se ser completamente levado, mas é também colocar-se à postos e, principalmente, tentar inscrever-se no mundo.

A inscrição é aquilo que infere, como aderência e risco, toda ação convicta. Não é apenas escrever ou remendar o que se escreve ou reescrever o que se remenda etc. Isto pode ser pouco nessa esfera cínica quando toda transgressão, de fato, não é nada. O que Walter Benjamin, sabemos, já apontava em vários outros sentidos, mas que podemos ler nessa circunstância inoportuna da vida agora em que normalmente se lança o fazer como burocracia: primeiro, como “mero instrumento de recriação” sem diferimento e, depois, como um “espetáculo edificante”.


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Joacy Ghizzi Neto – Cartas De Paulo Leminski

Estamos, com este livro, diante de Paulo Leminski e sua modulação convicta e selvagem entre um pensamento da literatura e um pensamento com a literatura.

Joacy Ghizzi Neto - Cartas De Paulo Leminski: Sinais De Vida

Estamos, com este livro de Neto Ghizzi, diante de Paulo Leminski e sua modulação convicta e selvagem entre um pensamento da literatura e um pensamento com a literatura: força de imaginação e desvio do corpo ao menos um palmo a qualquer lado. Leminski ‘inscreveu’ no pequeno ensaio Sem eu, sem tu, nem ele que “Não existe isso que se chama ‘escrever bem’, existe é pensar bem. Escrever é pensar. Quem pensa mal, escreve mal.

Não há habilidade retórica que consiga disfarçar um pensamento fraco ou medíocre.” E o lance aqui, como um jogo de antecipações, é a tentativa e o bom esforço crítico de Neto Ghizzi em tocar essa interioridade radical, como pensamento, que se move no projétil de algumas cartas de Leminski para Régis Bonvicino entre as edições díspares dos livros Uma carta uma brasa através e Envie o meu dicionário.

O jogo de Leminski pode se armar, por exemplo, como um começo imprevisto, numa imagem que vem a partir das duas primeiras linhas de um poema de Carlos Augusto Lima, Manual de acrobacia n. 1, publicado 72 vezes no mesmo livro entre repetição e diferimento: “eu sou o acrobata do banco de trás / e só você me vê”. Colocar-se aí, num guión acidental, o do banco de trás, é deixar-se ser completamente levado, mas é também colocar-se à postos e, principalmente, tentar inscrever-se no mundo.

A inscrição é aquilo que infere, como aderência e risco, toda ação convicta. Não é apenas escrever ou remendar o que se escreve ou reescrever o que se remenda etc. Isto pode ser pouco nessa esfera cínica quando toda transgressão, de fato, não é nada. O que Walter Benjamin, sabemos, já apontava em vários outros sentidos, mas que podemos ler nessa circunstância inoportuna da vida agora em que normalmente se lança o fazer como burocracia: primeiro, como “mero instrumento de recriação” sem diferimento e, depois, como um “espetáculo edificante”.


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