Jack Goody – O Roubo Da História

O mundo não se resume à Europa e aos países de colonização europeia. Óbvio? Talvez. Mas o fato é que nunca houve um livro como O Roubo Da História.

Jack Goody – O Roubo Da História: Como Os Europeus Se Apropriaram Das Ideias E Invenções Do Oriente

Se o Ocidente tivesse levado a sério Jack Goody, teria entendido melhor o desenvolvimento supostamente inexplicável da China, assim como o surgimento dos “tigres asiáticos” e do próprio “milagre japonês”.

O mundo não se resume à Europa e aos países de colonização europeia. Óbvio? Talvez. Mas o fato é que nunca houve um livro como O Roubo Da História.

Nesta obra, o autor critica aquilo que considera um viés ocidentalizado e etnocêntrico, difundido pela historiografia ocidental, e o consequente “roubo”, perpetrado pelo Ocidente, das conquistas das outras culturas.

Goody não discute apenas invenções como pólvora, bússola, papel ou macarrão, mas também valores como democracia, capitalismo, individualismo e até amor.

Para ele, nós, ocidentais, nos apropriamos de tudo, sem nenhum pudor. Sem dar o devido crédito. Este livro, apaixonado e apaixonante, abre uma janela para todos que querem descortinar o mundo, entre eles historiadores, antropólogos, sociólogos e jornalistas.

Pesquisador cuidadoso, dono de erudição extraordinária, acumulada em seus quase 90 anos de vida, Goody tem uma obra variada e muito respeitada. Transita por temas tão distintos como a família, o feminismo, a cozinha, a cultura das flores, o contraste entre a cultura ocidental e oriental, e até o impacto da escrita em diferentes sociedades.

E Goody analisa que certo desprezo pelo Oriente pode ainda custar muito caro ao mundo ocidental. Assim, ele acusa teóricos fundamentais, como Marx, Weber, Norbert Elias, e questiona enfaticamente Braudel, Finley e Anderson por esconderem conquistas do Oriente e mesmo por se apropriarem delas em seus escritos.

Arrasa os medievalistas que querem transformar um período violento, repressivo, dogmático e sem muita criatividade (a Idade Média) em algo simpático e palatável, só por ser, supostamente, a época da criação da Europa.

E mostra que, ao menos em termos de capitalismo mercantil, o Oriente tem sido, ao longo da História, bem mais desenvolvido do que o Ocidente. Claro que suas conclusões são polêmicas.

Mas atenção: este livro não é um simples ensaio, um trabalho apenas opinativo. Considerado um dos mais importantes cientistas sociais do mundo, Goody tem uma obra sólida, consistente, plena de informações e de comparações, reconhecida por colegas como Eric Hobsbawm, com quem estudou e trabalhou.

Neste livro recorre a pesquisas feitas na Ásia e na África (muitas realizadas por ele mesmo) para dar peso às suas teses. Assim, mesmo que se venha a discordar de alguns de seus pontos de vista, ou conclusões, temos muito a aprender com ele, principalmente como entender o mundo globalizado – e não sob uma ótica puramente econômica.


Deixe uma resposta

Jack Goody – O Roubo Da História

O mundo não se resume à Europa e aos países de colonização europeia. Óbvio? Talvez. Mas o fato é que nunca houve um livro como O Roubo Da História.

Jack Goody - O Roubo Da História: Como Os Europeus Se Apropriaram Das Ideias E Invenções Do Oriente

Se o Ocidente tivesse levado a sério Jack Goody, teria entendido melhor o desenvolvimento supostamente inexplicável da China, assim como o surgimento dos "tigres asiáticos" e do próprio "milagre japonês".

O mundo não se resume à Europa e aos países de colonização europeia. Óbvio? Talvez. Mas o fato é que nunca houve um livro como O Roubo Da História.

Nesta obra, o autor critica aquilo que considera um viés ocidentalizado e etnocêntrico, difundido pela historiografia ocidental, e o consequente "roubo", perpetrado pelo Ocidente, das conquistas das outras culturas.

Goody não discute apenas invenções como pólvora, bússola, papel ou macarrão, mas também valores como democracia, capitalismo, individualismo e até amor.

Para ele, nós, ocidentais, nos apropriamos de tudo, sem nenhum pudor. Sem dar o devido crédito. Este livro, apaixonado e apaixonante, abre uma janela para todos que querem descortinar o mundo, entre eles historiadores, antropólogos, sociólogos e jornalistas.

Pesquisador cuidadoso, dono de erudição extraordinária, acumulada em seus quase 90 anos de vida, Goody tem uma obra variada e muito respeitada. Transita por temas tão distintos como a família, o feminismo, a cozinha, a cultura das flores, o contraste entre a cultura ocidental e oriental, e até o impacto da escrita em diferentes sociedades.

E Goody analisa que certo desprezo pelo Oriente pode ainda custar muito caro ao mundo ocidental. Assim, ele acusa teóricos fundamentais, como Marx, Weber, Norbert Elias, e questiona enfaticamente Braudel, Finley e Anderson por esconderem conquistas do Oriente e mesmo por se apropriarem delas em seus escritos.

Arrasa os medievalistas que querem transformar um período violento, repressivo, dogmático e sem muita criatividade (a Idade Média) em algo simpático e palatável, só por ser, supostamente, a época da criação da Europa.

E mostra que, ao menos em termos de capitalismo mercantil, o Oriente tem sido, ao longo da História, bem mais desenvolvido do que o Ocidente. Claro que suas conclusões são polêmicas.

Mas atenção: este livro não é um simples ensaio, um trabalho apenas opinativo. Considerado um dos mais importantes cientistas sociais do mundo, Goody tem uma obra sólida, consistente, plena de informações e de comparações, reconhecida por colegas como Eric Hobsbawm, com quem estudou e trabalhou.

Neste livro recorre a pesquisas feitas na Ásia e na África (muitas realizadas por ele mesmo) para dar peso às suas teses. Assim, mesmo que se venha a discordar de alguns de seus pontos de vista, ou conclusões, temos muito a aprender com ele, principalmente como entender o mundo globalizado - e não sob uma ótica puramente econômica.


Deixe uma resposta