Hilary Spurling – Matisse: Uma Vida

Matisse comparou seu desenvolvimento como pintor ao crescimento de uma semente. “É como uma planta que se ergue assim que está com a raiz firme”, comentou no final da vida, “a raiz pressupõe todo o resto”. Ele mesmo tinha suas raízes no nordeste da França, na imensa planície da Flandres onde os parentes de seu pai haviam sido tecelões até onde alcançava a lembrança familiar. Henri Émile Benoît Matisse nasceu na modesta casa de tecelões de sua avó, à rue du Chêne Arnaud, na cidadezinha têxtil de Le Cateau-Cambrésis, às oito horas da última noite do ano, em 31 de dezembro de 1869. Muito depois, ele diria que a chuva caía por um buraco sobre a cama em que nascera.Seus pais, que trabalhavam em Paris, estavam fazendo uma visita de ano-novo ao vilarejo natal. Ao primogênito deram o nome de Henri, em homenagem ao pai, seguindo a tradição familiar que remontava a quatro gerações. O primeiro Henri Matisse fora tecelão de linho, mas seu filho, Jean Baptiste Henri, deixou esse humilde ofício na década de 1850 para se tornar capataz numa das fiações recém-mecanizadas do povoado. O filho dele, por sua vez, sairia de casa e abandonaria por completo o ramo têxtil. Era Émile Hippolyte Henri Matisse, o pai do pintor, que aos vinte e poucos anos encontrou emprego como atendente em uma loja em Paris. Em janeiro de 1869, quando se casou com Anna Héloïse Gérard, filha de um curtidor de Le Cateau, já havia sido promovido a aprendiz de compras de roupas íntimas femininas. Trabalhava na Cour Batave, no boulevard Sébastopol, uma nova e elegante loja de departamentos especializada em lingerie, enxoval, meias, corpetes, blusas femininas, assim como roupas de uso íntimo e doméstico. Bem depois de ter regressado à região natal e aberto um negócio próprio, Hippolyte Henri ainda se orgulhava de sua formação parisiense, que lhe aguçou o olhar para a qualidade, confirmou sua aversão a trabalhos negligentes ou malfeitos, e firmou os padrões rigorosos pelos quais até o fim da vida avaliaria a si mesmo, ao mundo que o rodeava e, especialmente, ao filho mais velho.


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Hilary Spurling – Matisse: Uma Vida

Matisse comparou seu desenvolvimento como pintor ao crescimento de uma semente. “É como uma planta que se ergue assim que está com a raiz firme”, comentou no final da vida, “a raiz pressupõe todo o resto”.

Ele mesmo tinha suas raízes no nordeste da França, na imensa planície da Flandres onde os parentes de seu pai haviam sido tecelões até onde alcançava a lembrança familiar. Henri Émile Benoît Matisse nasceu na modesta casa de tecelões de sua avó, à rue du Chêne Arnaud, na cidadezinha têxtil de Le Cateau-Cambrésis, às oito horas da última noite do ano, em 31 de dezembro de 1869. Muito depois, ele diria que a chuva caía por um buraco sobre a cama em que nascera.Seus pais, que trabalhavam em Paris, estavam fazendo uma visita de ano-novo ao vilarejo natal. Ao primogênito deram o nome de Henri, em homenagem ao pai, seguindo a tradição familiar que remontava a quatro gerações. O primeiro Henri Matisse fora tecelão de linho, mas seu filho, Jean Baptiste Henri, deixou esse humilde ofício na década de 1850 para se tornar capataz numa das fiações recém-mecanizadas do povoado. O filho dele, por sua vez, sairia de casa e abandonaria por completo o ramo têxtil. Era Émile Hippolyte Henri Matisse, o pai do pintor, que aos vinte e poucos anos encontrou emprego como atendente em uma loja em Paris. Em janeiro de 1869, quando se casou com Anna Héloïse Gérard, filha de um curtidor de Le Cateau, já havia sido promovido a aprendiz de compras de roupas íntimas femininas. Trabalhava na Cour Batave, no boulevard Sébastopol, uma nova e elegante loja de departamentos especializada em lingerie, enxoval, meias, corpetes, blusas femininas, assim como roupas de uso íntimo e doméstico. Bem depois de ter regressado à região natal e aberto um negócio próprio, Hippolyte Henri ainda se orgulhava de sua formação parisiense, que lhe aguçou o olhar para a qualidade, confirmou sua aversão a trabalhos negligentes ou malfeitos, e firmou os padrões rigorosos pelos quais até o fim da vida avaliaria a si mesmo, ao mundo que o rodeava e, especialmente, ao filho mais velho.


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